Carta Apostólica em forma de Motu Proprio «Miserere mei, Deus» | Convocação do Ano Santo da Reconciliação

CARTA APOSTÓLICA
SOB FORMA DE MOTU PROPRIO
MISERERE MEI, DEUS
DO SUMO PONTÍFICE, BENTO VIII
COM A QUAL SE PROCLAMA
O ANO SANTO DA RECONCILIAÇÃO

«MISERICÓRDIA DE MIM, Ó DEUS» (cf. Sl 51, 1) é o clamor que sai dos nossos corações quando reconhecemos que nós, miseráveis pecadores, pecámos. E mesmo assim, Deus com um coração tão grande, não cessa de nos perdoar, porque o amor d'Ele, é o amor de um Pai, que ama os seus filhos, que os perdoa e os acolhe à semelhança do filho pródigo (Lc. 15, 11–32). 


Também nós, à semelhança do filho pródigo, às vezes somos soberbos e gananciosos, querendo tudo do melhor, porém, não reconhecemos que ofendemos a Deus através das nossas atitudes, nossas faltas e os nossos pensamentos, atos e omissões.


Na Santa Missa, no Ato Penitencial dizemos tantas vezes: «[...] Que eu pequei muitas vezes por pensamentos e palavras, atos e omissões» e o interessante é que assumimos ainda «Por minha culpa, minha culpa, minha tão grande culpa»[1] porque colocamo-nos à pequenez de filhos de Deus, reconhecendo o nosso pecado que herdamos através dos nossos primeiros pais, Adão e Eva.


«Com Cristo aprendemos que o perdão deve ser ilimitado»[2] e essa limitação deve ocorrer primeiro em nós. Porque nós devemos colocar-nos em primeiro lugar e reconhecer as nossas faltas; adverte-nos Nosso Senhor: «Como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o cisco do teu olho, quando tu não vês a trave no teu próprio olho?» (cf. Lc 6, 42). O interessante é que condenamos os nossos irmãos, no lugar de acolhê-los, abrir as portas e ensinar-lhes a Doutrina da nossa Fé.


E ensinou-nos o mandamento do Amor. Porque no amor e na fraternidade demonstramos ser uma igreja acolhedora, como o próprio Cristo que acolheu a tantos pecadores, por exemplo, Santa Maria Madalena; Cristo, por outro lado, vivia perto dos Pecadores e muitas vezes os fariseus e escribas diziam: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles» (cf. Lc 15, 2) porém, «Jesus veio para os pecadores» (cf. Mc 2, 17) e não para condenar ninguém. 


Diante os tempos hodiernos precisamos perceber que existem pessoas rejeitadas pela Igreja, pelos próprios fiéis que não seguem o mandamento deste amor; uma igreja que deve acolher a todo o pecador, independente de raças, orientações sexuais ou de crença; Precisamos ser a igreja que abra as portas, acolha, abraça e ensine um Pecador, que também pode ser Santo, como também é digno de ser filho/a de Deus. 


A este dom de paternidade ninguém escapa, e foi por este dom que todos fomos salvos, através do madeiro da Cruz. Amar também é mandamento e ninguém deixa de ser passível a perdoar, porque é o nosso principal dever e obrigação, é perdoar. «O mandato missionário do Senhor inclui o apelo ao crescimento da Fé» [3]


Tendo sido tocado pelo Espírito Santo para que vivamos espiritualmente sobre a reconciliação, nas palavras que o Senhor diz a Pedro «Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim?» (cf. Mt 18, 21) CONVOCO o ANO SANTO DA RECONCILIAÇÃO que deve ter início no primeiro Domingo da Quaresma, dia 26 de fevereiro de 2023, terminando no dia de Santa Maria Mãe de Deus, 1 de janeiro de 2024, onde deve ser solenemente encerrado.


Para este fim, determina-se que as Portas Santas voltem a ser abertas apenas nas Sés Diocesanas e Arquidiocesanas como nos Santuários, a nível Nacional, nesse mesmo Domingo. No decorrer deste Ano de Reconciliação, a Igreja deve aprofundar-se no Sacramento da Confissão, nas celebrações penitenciais e de costume dos fiéis, como também o levantamento das punições de todos aqueles que desejarem retornar em comunhão connosco.


E seja este tempo uma profunda reflexão à nossa condição de pecadores, em busca da santificação e do perdão das nossas faltas. Pois «quão grande é a necessidade que o mundo tem hoje de ternura! Paciência de Deus, proximidade de Deus, ternura de Deus!»[4] Siga-se as disposições que forem ordenadas pela Prefeitura do Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos para a vivência espiritual deste Ano Santo.


Dado em Roma, junto à São Pedro, no dia 19 de janeiro do ano do senhor de 2023, primeiro de meu Pontificado.


† Benedictus, PP. VIII

SERVUS SERVORUM DEI


[1] In Ordo Missae, Ato Penintencial, formúla I.

[2] In Livro 'Misericordiar', pág. 57.

[3] In Exortação 'Evangelii Gaudium' do Papa Francisco, Pág. 117, n. 160

[4] In Homilia do Papa Francisco, Noite do Natal do Senhor, 24 de Dez. de 2014.

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