DISCURSO DO PAPA INOCÊNCIO VII
NA PRIMEIRA BÊNÇÃO URBI ET ORBI
30 de setembro de 2026
Irmãos e irmãs, boa noite.
Obrigado. Muito obrigado.
Confesso-vos que ainda estou a tentar compreender tudo aquilo que aconteceu. Há poucas horas estávamos reunidos em oração, dentro da Capela Sistina, e agora encontro-me aqui, diante de vós, diante desta Praça de São Pedro e diante de uma Igreja espalhada por todo o mundo. É um momento que não é fácil explicar em palavras. É uma responsabilidade enorme e, ao mesmo tempo, uma emoção que dificilmente consigo esconder.
Quando ouvi o meu nome ser anunciado, o meu primeiro pensamento foi para Cristo e depois para Pedro. Pensei naquele homem simples que recebeu do Senhor uma missão muito maior do que as suas próprias forças. Pedro também teve medo, também errou, também precisou de aprender a confiar. E talvez seja precisamente isso que me dá alguma paz nesta noite: Deus não chama pessoas perfeitas. Deus chama pessoas que estão dispostas a confiar n'Ele.
É assim que quero começar este ministério. Não venho diante de vós como alguém que tem todas as respostas, nem como alguém que acredita conseguir resolver sozinho todos os problemas da Igreja. Venho como um irmão que recebeu uma responsabilidade muito grande e que sabe que vai precisar da oração de todos vós.
Por isso, a primeira coisa que vos peço é muito simples: rezai por mim. Rezai pelo Papa, mas sobretudo rezai por este homem que hoje recebeu uma missão que não procurou para si mesmo e que só poderá cumprir se permanecer unido a Cristo.
Quero que o meu pontificado seja um tempo em que a Igreja volte constantemente ao essencial. E o essencial é Jesus Cristo. Podemos ter muitas estruturas, muitos projetos, muitas palavras e muitas preocupações, mas se perdermos Cristo, perdemos aquilo que dá sentido a tudo o resto. É Ele quem nos reúne, é Ele quem nos envia e é Ele quem nos ensina a amar.
Vivemos num mundo que mudou muito e que continuará a mudar. Há coisas boas que devemos saber reconhecer e há também realidades que nos preocupam profundamente. Há muitas pessoas que já não sabem em que acreditar, famílias que atravessam dificuldades, jovens que procuram um caminho, pessoas que vivem sozinhas e outras que carregam sofrimentos que ninguém vê. E há também uma grande dificuldade em distinguir aquilo que é verdadeiro daquilo que simplesmente queremos que seja verdadeiro.
A Igreja não pode ter medo deste mundo. Não devemos fechar-nos, nem olhar para aqueles que pensam de maneira diferente como se fossem nossos inimigos. Mas também não podemos esquecer aquilo que somos. A Igreja tem uma mensagem para anunciar e essa mensagem não pertence ao Papa, nem aos Bispos, nem a qualquer geração. Recebemo-la de Cristo.
Quero, por isso, uma Igreja que saiba acolher, mas que também saiba anunciar a verdade; uma Igreja que saiba escutar, mas que não tenha medo de falar; uma Igreja misericordiosa, mas que nunca confunda misericórdia com indiferença. Amar uma pessoa não significa concordar com tudo aquilo que ela faz. Muitas vezes, amar é precisamente ter a coragem de mostrar um caminho diferente, sempre com respeito, com paciência e com caridade.
Precisamos de recuperar esta coragem. Não uma coragem agressiva, que procura conflitos, mas aquela coragem tranquila de quem sabe em Quem colocou a sua confiança. Não devemos ter vergonha do Evangelho, nem dos mandamentos de Deus, nem da nossa fé. O mundo não precisa de uma Igreja que tenha medo de ser Igreja. Precisa de uma Igreja que seja capaz de mostrar que é possível viver com verdade, com esperança e com amor.
Quero também dizer uma palavra a Roma. A partir de hoje, esta cidade será de uma maneira muito particular a minha casa. Quero conhecê-la não apenas através dos seus grandes monumentos, mas através das suas pessoas, das suas paróquias, das suas famílias, dos seus sacerdotes, dos seus jovens e dos seus idosos. Quero caminhar pelas suas ruas e encontrar as pessoas. Quero ser verdadeiramente o Bispo de Roma, porque sei que é a partir desta Igreja de Roma que o ministério de Pedro se coloca ao serviço da Igreja universal.
E a todos aqueles que esta noite nos acompanham de longe, quero dizer que a Igreja é maior do que esta Praça. Está presente numa pequena aldeia, numa grande cidade, numa missão distante, numa casa onde uma família reza junta, num hospital onde alguém sofre, numa cela onde alguém procura recomeçar e também no coração daquele que talvez esteja há muitos anos afastado de Deus.
A todos esses irmãos e irmãs quero dizer: não tenham medo de se aproximar. A porta da Igreja está aberta. E se alguém pensa que está demasiado longe para voltar, saiba que Cristo continua a esperá-lo.
Nesta noite, não quero fazer grandes promessas. O pontificado começa hoje e teremos tempo para trabalhar, para discernir e para caminhar juntos. Quero apenas pedir a Deus a graça de ser fiel e pedir-vos a vós a paciência para caminharmos juntos.
Confio este caminho à Virgem Maria. Ela esteve junto dos Apóstolos nos primeiros momentos da Igreja e quero acreditar que estará também connosco neste novo caminho. Que ela nos ensine a confiar em Deus, mesmo quando não compreendemos tudo aquilo que Ele nos pede.
E agora, antes de vos dar a minha primeira bênção como Bispo de Roma e Sucessor de Pedro, volto a pedir-vos aquilo que talvez seja a coisa mais importante que posso pedir esta noite: não vos esqueçais de rezar por mim. Eu prometo rezar por vós e por toda a Igreja.
Rezemos juntos a Nossa Senhora.
Ave, Maria, cheia de graça...
(Bênção urbi et Orbi)
Agora estamos todos ansiosos... ansiosos de reorganizar e ver a igreja crescer. Agora é momento de pôr-se ao trabalho e edificar a Igreja. É momento de irmos e trabalhar pela nossa amada casa.
Muito obrigado, de coração! Até amanhã.
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