Carta Pastoral | Ao povo de Deus por ocasião da Viagem Apostólica a Aparecida e Fátima


INNOCENTIUS, EPISCOPUS
SERVUS SERVORUM DEI

A todos aqueles que estas letras lerem,
saudação, paz e bênção apostólica.

«Caminhamos com Maria pela Paz»

A paz esteja convosco!

Com o coração cheio de gratidão a Deus e de esperança, preparo-me para viver, nos dias 12 e 13 de outubro, a minha primeira Viagem Apostólica como Bispo de Roma e Pastor da Igreja Universal. Irei ao encontro de Nossa Senhora Aparecida, no Brasil, no dia 12, e de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, em Portugal, no dia 13, levando comigo não apenas a minha oração pessoal, mas também as orações, as alegrias, as preocupações e as esperanças de toda a Igreja.

Quis que esta primeira viagem do meu pontificado fosse vivida sob o olhar de Maria. Por isso, escolhemos como tema «Caminhamos com Maria pela Paz». Não poderia imaginar um caminho melhor para os primeiros passos desta missão que me foi confiada pelo Senhor: colocar o meu ministério e toda a Igreja nas mãos daquela que, desde o início, acompanhou os passos da comunidade dos discípulos.

A minha primeira Viagem Apostólica não será apenas uma deslocação de um lugar para outro. Desejo que seja uma verdadeira peregrinação de fé. Irei como peregrino, como irmão e como servidor, para rezar com o povo de Deus e para confiar à Virgem Maria a Igreja que o Senhor me chamou a servir.

No dia 12 de outubro, estarei em Aparecida, junto da Mãe Aparecida, tão profundamente amada pelo povo brasileiro e por tantos homens e mulheres que encontram naquela imagem de Nossa Senhora um sinal de esperança e de confiança em Deus. Ali, diante da Virgem Maria, quero colocar especialmente o Brasil, a América Latina e todos os povos que vivem momentos de dificuldade, pedindo que a Mãe de Deus acompanhe as suas famílias, os seus jovens, os seus idosos, os mais pobres e todos aqueles que procuram um futuro de maior justiça e fraternidade.

No dia seguinte, 13 de outubro, estarei em Fátima. Estarei aos pés de Nossa Senhora do Rosário, num lugar marcado pela oração e pela súplica pela paz. Fátima recorda-nos que a oração nunca é inútil e que o coração humano precisa continuamente de se voltar para Deus. Ali, quero confiar à intercessão da Virgem Maria a Igreja inteira e todos os povos que sofrem com a guerra, a violência, a perseguição e a divisão.

Aparecida e Fátima estarão, assim, unidas nesta primeira peregrinação. Dois santuários marianos, dois continentes, dois povos, mas uma só fé e uma só Igreja. Em ambos os lugares, encontramos Maria que nos aponta para Cristo. Ela não nos chama a permanecer nela, mas a seguir o seu Filho. Em Caná, disse aos servidores: «Fazei o que Ele vos disser» (Jo 2,5). Estas palavras continuam a ser o caminho da Igreja.

É diante de Maria que quero começar este caminho como Papa.

Ao iniciar o meu ministério, tenho consciência da responsabilidade que o Senhor colocou sobre os meus ombros. Sei que o caminho da Igreja nem sempre é fácil. Conheço as suas alegrias, mas também as suas feridas. Conheço as divisões, as incompreensões e as dificuldades que tantas vezes existem entre nós. Por isso, não quero começar esta primeira Viagem Apostólica apresentando respostas para tudo. Quero começar rezando.

Quero rezar com a Igreja.

Quero escutar a Igreja.

Quero caminhar com a Igreja.

E quero pedir a Maria que nos ajude a caminhar juntos.

O mundo precisa de paz, mas a paz não pode ser apenas uma palavra repetida. Ao nosso redor existem guerras, conflitos, famílias separadas, povos que sofrem e pessoas que vivem com medo do dia seguinte. Perante esta realidade, a Igreja não pode permanecer indiferente. Precisamos de ser uma Igreja que reza pela paz, que trabalha pela reconciliação e que não se cansa de recordar que cada ser humano possui uma dignidade que deve ser respeitada.

Mas também sabemos que a paz do mundo começa no coração de cada pessoa. Não podemos pedir o fim das guerras enquanto alimentamos pequenas guerras dentro das nossas famílias, das nossas comunidades e até dentro da própria Igreja. Não podemos falar de reconciliação enquanto permanecemos presos ao ressentimento. Não podemos pedir que os outros perdoem enquanto nós próprios recusamos dar o primeiro passo.

Maria ensina-nos outro caminho. Ensina-nos a confiar, a escutar, a servir e a permanecer junto daqueles que sofrem. Ela esteve com os Apóstolos em oração, à espera do Espírito Santo (cf. At 1,14), e continua a acompanhar a Igreja no seu caminho.

Por isso, nesta minha primeira Viagem Apostólica, desejo pedir à Virgem Maria que nos ensine novamente a ser irmãos. Que nos ajude a ultrapassar aquilo que nos divide e a reconhecer aquilo que nos une. Que nos ensine a procurar a reconciliação antes da condenação, o diálogo antes da ruptura e a caridade antes de qualquer palavra que possa ferir.

A toda a Igreja Católica Universal, peço que se una espiritualmente a esta peregrinação. Onde quer que estejam, acompanhem-me com a vossa oração. Levarei comigo ao altar as intenções de todos aqueles que me pedirem oração, mas também as intenções daqueles que talvez nunca tenham a oportunidade de as confiar pessoalmente.

Rezemos juntos pela paz. Rezemos pelos que sofrem. Rezemos pelos que perderam alguém que amavam. Rezemos pelas famílias, pelos jovens e pelas crianças que vivem em lugares marcados pelo conflito. Rezemos pelos que têm responsabilidades na sociedade e no governo dos povos, para que tenham a coragem de escolher o diálogo e a justiça. E rezemos também por nós, para que sejamos instrumentos de paz nos lugares onde Deus nos colocou.

«Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus» (Mt 5,9).

Estas palavras de Cristo serão também um compromisso para o meu ministério. Quero que esta primeira Viagem Apostólica seja um convite a toda a Igreja para renovar o seu compromisso com a paz, com a unidade e com a fraternidade.

De Aparecida a Fátima, caminharemos com Maria. E, caminhando com Maria, queremos caminhar com Cristo.

Confio esta primeira Viagem Apostólica à proteção da Virgem Santíssima. Que Nossa Senhora Aparecida cubra com o seu manto o povo brasileiro e todos os povos da América Latina. Que Nossa Senhora de Fátima acompanhe a Igreja e interceda pela Europa e por todos os povos que sofrem. E que a Rainha da Paz nos ensine que a esperança nunca é inútil quando colocada nas mãos de Deus.

Irmãos e irmãs, esta é a primeira viagem que realizarei como vosso Pastor. Quero vivê-la convosco e por vós. Quero que as minhas palavras sejam acompanhadas pelas vossas orações e que os meus passos sejam unidos aos passos de toda a Igreja.

Caminhemos juntos.

Caminhemos com Maria.

Caminhemos com Cristo.

Caminhemos pela paz.

Que o Senhor abençoe esta peregrinação e que, pela intercessão da Virgem Maria, possamos regressar destes dias com um coração mais próximo de Deus e uma Igreja ainda mais unida no amor.

A todos concedo, de coração, a minha Bênção Apostólica, aguardando pelo nosso encontro nestes dois momentos singulares: Pela paz e pela fraternidade.

Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia 06 de outubro do ano do Senhor de 2026, primeiro do nosso pontificado.

Pontifex Maximus
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