Carta ao Papa Augusto II - Na ocasião do seu 1º Mês de Pontificado


DOM MÁRIO CARDEAL VON-SCHERER
POR MERCÊ DE DEUS E DA SÉ APOSTÓLICA
CARDEAL-BISPO DI ÓSTIA
DECANO DO COLÉGIO DOS CARDEAIS

CARTA AO PAPA NO SEU
PRIMEIRO MÊS DE PONTIFICADO


Beatissimo Pai, Augusto II;

"A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era comum. Com grande coragem os apóstolos davam testemunho da Ressurreição do Senhor Jesus. Em todos eles era grande a graça. Nem havia entre eles nenhum necessitado, porque todos os que possuíam terras ou casas vendiam-nas, e traziam o preço do que tinham vendido e depositavam-no aos pés dos apóstolos. Repartia-se então a cada um deles conforme a sua necessidade." (Cf. Atos dos Apóstolos, 4, 32-35) Nesta passagem dos Atos dos Apóstolos vemos a unidade da Igreja em torno destes que eram os primeiros Bispos dela. Atualmente vemos a unidade desta mesma Igreja que a teu lado caminha e completa hoje um mês de teu Pontificado. Este Pontificado que está marcado de tantas bençãos, graças e vitórias na Igreja; vós tens sido um pai que tem ido ao encontro incansávelmente do rendil perdido, assim, como o bom pastor que dá a vida pelas suas ovelhas (Cf. João 10, 11) sem ter medo de cada onda que vem contra ti.

A Igreja vê-se em um momento difícil mas onde tu, como nosso pastor, vens nos confirmar na mesma fé que o apóstolo Pedro viria também nos confirmar a meio da multidão, isso, é visto nas Cartas de São Pedro. «"m obediência à verdade, ten­des purificado as vossas almas para praticardes um amor fraterno sincero. Amai-vos, pois, uns aos outros, ardentemente e do fundo do coração. Pois fostes regenerados não de uma semente corruptível, mas pela Palavra de Deus, semente incorruptível, viva e eterna. Porque toda carne é como a erva, e toda a sua glória como a flor da erva. Seca-se a erva e cai a flor, mas a palavra do Senhor permanece eternamente (Is 40,6s). Ora, essa palavra é a que vos foi anunciada pelo Evangelho."Deponde, pois, toda malícia, toda astúcia, fingimentos, invejas e toda espécie de maledicência. Como crianças recém-nascidas, desejai com ardor o leite espiritual que vos fará crescer para a salvação, se é que tendes saboreado quão suave é o Senhor (Sl 33,9). Achegai-vos a ele, pedra viva que os homens rejeitaram, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus; e quais outras pedras vivas, vós também vos tornais os materiais deste edifício espiritual, um sacerdócio santo, para oferecer vítimas espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo. Por isso lê-se na Escritura: Eis que ponho em Sião uma pedra angular, escolhida, preciosa: quem nela puser sua confian­ça não será confundido (Is 28,16). Para vós, portanto, que tendes crido, cabe a honra. Mas, para os incrédulos, a pedra que os edificadores rejeita­ram tornou-se a pedra angular, uma pedra de tropeço, uma pedra de escândalo (Sl 117,22; Is 8,14). Nela tropeçam porque não obedecem à palavra; e realmente era tal o seu destino. Vós, porém, sois uma raça escolhi­da, um sacer­dócio régio, uma nação santa, um povo adquirido para Deus, a fim de que publiqueis as virtudes daquele que das trevas vos chamou à sua luz maravilhosa. Vós que outrora não éreis seu povo, mas agora sois povo de Deus; vós que outrora não tínheis alcançado misericórdia (Os 2,25), mas agora alcançastes misericórdia." (Cf. São Pedro, 1, 22-24; 2, 1-10). Tua missão muito nos inspirou, Santo Padre! Contigo aprendemos o que é estar bem mais unidos nas horas de aflição, de tentação e em que o mal tenta prevalecer e não consegue. O momento que também os apóstolos e a Igreja viveram a perseguição (Atos dos Apóstolos 8, 1-3) e que essa mesma perseguição nos dias atuais não deixa de ser feita por parte de homens possuídos pelo poder diabólico, desejam adentrar na Igreja e destruir-la.

A Igreja vive hoje o teu primeiro mês de Pontificado, Santo Padre, queremos dar graças ao Espírito Santo em nos ter enviado um pastor com condições e forças para guiar esta Igreja, que novamente repetindo, sendo atacada, nunca deixa de ser unida nas horas vagas; reitero que o Papado de seu Antecessor, o Papa João Paulo VI, está ainda sendo legalizado em ti e em tuas decisões, em expurgar da Igreja o maligno e dar a ela novos e santos homens para trabalharem idóniamente no lugar dos Apóstolos, estás deixando que os merecidos tenham seus frutos e que os sujos corrompidos pela destruição e pela ganância sejam jogados fora da Igreja. Admiramos tua coragem ao tomar este timão e conduzir esta barca, Santo Pai. "Em seguida, entrou no templo e começou a expulsar os mercadores. Disse ele: “Está escrito: A minha casa é casa de oração! Mas vós a fizestes um covil de ladrões” (Is 56,7; Jr 7,11). Todos os dias ensinava no templo. Os príncipes dos sacerdotes, porém, os escribas e os chefes do povo procuravam tirar-lhe a vida. Mas não sabiam como rea­lizá-lo, porque todo o povo ficava muito admirado, quando o ouvia falar. (Cf. São Lucas 19, 45-48) ao exemplo deste Jesus que expulsou todos os mercadores de seu templo, também o fizeste e com isso te damos graças.
Santo Padre, te agradecemos mais uma vez por teu ''sim'' no teu dia de eleição e por teres aceitado guiar a Igreja e ser nosso pai, em sentir as dores connosco e em batalhar connosco e nunca desistires de todas as seduções que as portas do inferno (as cismas) estão atentando contra a Igreja. Estamos rumando a um futuro Concílio convocado por ti, um Concílio ao exemplo de Jerusalém que foi o primeiro da Igreja onde os Santos Apóstolos se reuniram e iniciaram seus legados nesta Igreja tão Santa que permanece viva e perene até aos dias de hoje! A ti, angélico pastor, suplicamos que unidos permaneçamos nesta batalha e que venham muitos mais meses de Pontificado em luta e defesa pela Igreja. Como diz teu lema «Ubi Petrus, Ubi Ecclesia; Non Praevalebunt!» (Onde está Pedro, está a Igreja; não Prevalecerão.) Obrigado, Santidade! Feliz dia, Deus abençoe sempre seu coração bondoso de pastor.
Em nome de toda a Igreja, despedimos-te de ti neste dia tão importante em nossa História e para nosso piedoso e bondoso pastor. NON PRAEVALEBUNT!

Dado em Roma junto de São Pedro no dia 14 de setembro do ano do Senhor de 2020, primeiro mês de nosso Pontificado.

+ Mario Ravassi Cardeal Von-Scherer
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