Homilia do Papa Bento VII - Missa Vespertina da Ceia do Senhor


HOMILIA DO PAPA BENTO VII
Arquibasílica de São João de Latrão, 01.04.2021

Quero neste Tríduo Pascal recordar os principais desafios do nosso Programa Pastoral. Em Quinta-feira Santa, dia da Instituição da Eucaristia com o gesto do lava-pés, e da consignação do Mandamento Novo, sublinho as palavras que acabamos de ouvir: “Ele, que amou as seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim”. “Dei-vos um exemplo, para que assim como eu fiz, vós façais também”. É o amor vivido que se torna exemplo para que também o vivamos.

A celebração da Instituição da Eucaristia com Cristo no centro da mesa, reunindo os seus Apóstolos, mostra-nos a mesa da Humanidade onde teremos de trabalhar para que todos se sentem, não excluindo ninguém mas garantindo dignidade de vida para todos. Os pobres e os desfavorecidos, com os seus diferentes rostos, são o caminho da Igreja. Não é por acaso que anualmente escolhemos algumas pessoas para a cerimónia do lava-pés. Queremos agradecer o serviço que é prestado em diversas áreas sociais mas alargamos o compromisso perante os variadíssimos desafios que, se estivermos minimamente atentos, não são colocados quotidianamente.

A mesa da Humanidade ainda não oferece iguais situações de dignidade para todas as pessoas. Poucos vão-se banqueteando escandalosamente e uma grande maioria luta pelas migalhas de sobrevivência e consolação. Não ignoramos a grande evolução registada no nosso mundo. Pretende-se garantir e assegurar igualdade de oportunidades para todos. Mas a mancha social ainda é muito sombria. É neste cenário que a vida da Igreja, para os cristãos e para as comunidades, se movimenta, sabendo que deve ir ao encontro das margens para não esquecer ninguém. Podem ser poucos. Todos estão a pedir-nos proximidade. Numa Igreja que se quer samaritana, teremos de sair de Jerusalém, do templo, para nos dirigirmos à vida dos Homens que encontramos, fora na cidade de Jericó, ou nos caminhos a percorrer. Muito temos feito. Muito mais teremos de fazer.

Depois da Ceia, Jesus dirigiu-se para o Jardim das Oliveiras e iniciou a missão para a qual for enviado pelo pai. Os discípulos dispersaram-se. Ficou sozinho. Todos o abandonaram. Hoje não podemos abandonar. Teremos de estar com Ele aceitando o caminho a percorrer. Fazemo-lo todos juntos e nunca esquecendo que na mesa da fraternidade teremos de colocar a toalha para servir, dando uma mão na edificação de famílias igrejas domésticas, de comunidades verdadeiramente cristãs e de sociedades humanas com o fermento do Evangelho. Mais uma vez repetimos apelos muitas vezes formulados. Não só manifestemos a vontade de dar uma mão mas com Cristo, agora vivo e cooperante na Eucaristia que instituiu para ficar connosco, mãos à obra. Não estamos sozinhos. Assim, família é o princípio e o motivo da Igreja renovada e de uma sociedade humanizada. Trabalhemos para que se torne o que é. O resto acontecerá.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.
Para sempre seja louvado e Sua Mãe Maria Santíssima.
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