Carta Apostólica ''Laicorum Vitam'' - Sobre a vida laical


F I L I P E , B I S P O
SERVO DOS SERVOS DE DEUS
PARA A PERPÉTUA MEMÓRIA

CARTA APOSTÓLICA
LAICORUM VITAM
Vida Laical
DO PAPA FILIPE
SOBRE O LAICATO

1. «LAICORUM VITAM» para nós, tem grande significado, para além de ser aqueles que tem funções especificas, são eles que a cada Domingo animam as celebrações e a cada celebração se fazem presentes na vida quotidiana da Santa Igreja.

2. Volta-se agora nossos olhares para os leigos, sem o laicato a Igreja permanecia vazia e não teríamos quem nos ajudasse a divulgar a mensagem de Cristo a todas as nações, como ele mandou os apóstolos a irem anunciar pelo mundo (Mc 16, 15).

I PARTE
A IMPORTÂNCIA DO LAICATO

3. Cristo diz-Nos e continua-Nos a dizer: “Não fostes vós que me escolhestes; fui eu que vos escolhi e vos designei, para dardes fruto e para que o vosso fruto permaneça” (Jo 15,16). Desde o início da Igreja que é narrado nos Atos dos Apóstolos, firmou-se a primeira comunidade presidida pelos Apóstolos e entre eles São Pedro, aquele que Cristo Lhe haveria confiado o dever de apascentar seu rebanho (Jo 21, 15-19).

4. Declinou-se a importância do laicato na Igreja, dando lugar apenas a primazia e a forte pressão por parte do Clero e de suas vontades. Esqueceram-se dos leigos que animam e connosco, manifestam a Fé e a Unidade como expressa na primeira unidade da Igreja, referente nos Atos dos Apóstolos.

5. Para que esta consciência cresça nos fiéis de nossa Igreja, é preciso levar novamente a este encontro com Cristo, para refazer o encanto que faz o discípulo dizer como Simão Pedro: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus” (Jo 6,68-69). Mas não bastam palavras, como percebemos nas palavras de Jesus logo após esta declaração, mostrando o paradoxo presente na realidade de pecado em nossa vida: “Não vos escolhi a vós, os Doze? Contudo, um de vós é um diabo!” Ele falava de Judas, filho de Simão Iscariotes, pois este, um dos Doze, iria entregá-lo” (Jo 6, 70-71).

6. A rigidez do alto Clero para o laicato, pode ser as vezes, o início de uma ruptura de uma ferida ou uma das formas que acabe por apartar da Igreja a muitos dos leigos, que desejam ter para si: um lugar de acolhimento, uma forma de se salvar e de estar mais próxima de Cristo. Parece que para os sacerdotes, os leigos não tem mais importância e sim apenas são fonte de uso ou de números para apenas encher nossas Igrejas.

7. E é certo o que podemos dizer: Os leigos tem importância para a Igreja. - Para que estes tenham importância, é necessário que deixemos nosso orgulho e nossa forma de arrogância para lado e passemos a estar próximos da dificuldade que cada leigo vive!

8. Os fiéis leigos participam da missão da Igreja com uma responsabilidade específica. “Assim como os religiosos e os clérigos, “pelo batismo, foram incorporados a Cristo, constituídos no povo de Deus e a seu modo feitos partícipes do múnus sacerdotal, profético e régio de Cristo, pelo que exercem sua parte na missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo”. [1] 

9. E tudo isto porque ser leigo também é uma missão, igual os que compõem os graus hierárquicos eclesiáticos “A vocação específica dos leigos é caracterizada pela “índole secular”. “É específico dos leigos, por sua própria vocação, procurar o Reino de Deus exercendo funções temporais e ordenando-as segundo Deus. Vivem no mundo, isto é, em toda e qualquer ocupação e atividade terrena, e nas condições ordinárias da vida familiar e social, com as quais é como que tecida a sua existência. São chamados por Deus para que, aí, exercendo o seu próprio ofício, guiados pelo espírito evangélico, concorram para a santificação do mundo a partir de dentro, como o fermento, e deste modo manifestem Cristo aos outros, antes de mais pelo testemunho da própria vida, pela irradiação da sua fé, esperança e caridade. Portanto, a eles compete especialmente, iluminar e ordenar de tal modo as realidades temporais, a que estão estreitamente ligados, que elas sejam sempre feitas segundo Cristo e progridam e glorifiquem o Criador e Redentor” [2] como podemos rejeitar a presença especial do laicato na vida da Igreja? Não podemos negá-los. A presença do laicato é bastante importante para a vida da Igreja, como expresso nos dois pontos anteriores.

PARTE II
A MISSÃO DO LAICATO

10. Ressaltamos, como dito no ponto 9, o Laicato é missão; É uma missão que deve ser feita com um papel justo, mas, não sozinho. A Igreja é composta por todo o tipo de pessoas: Desde as pessoas de cor, até de pessoas de géneros e que são sempre apontadas como pecadores e julgadas fora dentro da sociedade. Porque não acolher um negro? Porque não acolher um homossexual? Não podemos julgar ou apontar o dedo, mas amar o próximo como Cristo ordena «Amai-vos uns aos outros como eu vos amei» (cf. Jo 13, 34-35).

11. Numa Igreja toda ministerial é hora de aprofundar mais a consciência do valor dos Ministérios Laicais para a realização da missão evangelizadora, e de reconhecê-los e incrementá-los. “A condição do discípulo brota de Jesus Cristo como de sua fonte pela fé e pelo batismo e cresce na Igreja, comunidade onde todos os seus membros adquirem igual dignidade e participam de diversos ministérios e carismas. Deste modo, realiza-se na Igreja a forma própria e específica de viver a santidade batismal a serviço do Reino de Deus” (DAp 184).

12. A missão própria e específica do leigo se realiza no mundo, “de tal modo que, com seu testemunho e sua atividade, eles contribuam para a transformação das realidades e para a criação de estruturas justas segundo os critérios do Evangelho. ‘O espaço próprio de sua atividade evangelizadora é o mundo vasto e complexo da política, da realidade social e da economia, como também o da cultura, das ciências e das artes, da vida internacional, dos ‘mass media’, e outras realidades abertas à evangelização, como são o amor, a família, a educação das crianças e adolescentes, o trabalho profissional e o sofrimento’ (EN, 70). Além disso, eles tem o dever de fazer crível a fé que professam, mostrando a autenticidade e coerência em sua conduta” (DAp, 210).

13. O Papa Francisco pede que sejamos a «Igreja em Saída» - longe de toda a condenação e de toda a perseguição. Uma Igreja perto de todo o irmão que sofre, é essa a Missão que Cristo pede para que amemos o próximo. É tão difícil de ser missionários do amor e da Caridade? Pois, o primeiro campo de apostolado dos leigos é o seu dia a dia, no encontro com as pessoas.

14. Os leigos participam em tudo da missão da Igreja. Mas são chamados particularmente para a animação cristã da ordem temporal, ou seja, “tornar presente e operante a Igreja naqueles lugares e circunstâncias onde ela só por meio deles pode vir a ser sal da terra. Assim, todo o leigo, por virtude dos dons que recebeu, é testemunha e ao mesmo tempo instrumento vivo da missão da própria Igreja ‘segundo a medida do dom de Cristo’” (LG, 33). O documento conciliar sobre o apostolado dos leigos, destaca os seguintes campos de atuação: as comunidades eclesiais, a família, os jovens, o ambiente social, a ordem nacional e internacional (cf. AA, nn. 9-14).

15. A missão passa, então, a ser uma paixão por Jesus e pelo seu povo. É um reconhecimento de que Jesus quer que sejamos instrumentos seus para que Ele possa chegar até o seu povo amado. Lanço o desafio de a Igreja passar a acolher os leigos, a ensina-los e a prepara-los para a vida comum na escola da igreja, assim como Jesus se reunia no templo com o povo para ler as escrituras e a ensina-los, sejamos também essa fonte de exemplo.

CONCLUSÃO

16. Por fim, meus irmãos e minhas irmãs, reconheçamos a importância dos leigos na vida da santa Igreja e valorizemos a sua presença. Eles não significam somente um número presente, eles são muito mais que um simples número que se fazem presentes na vida da Igreja, eles são os mesmos discípulos que seguiam a Cristo e, no nosso meio, devem ser valorizados.

17. Desejo também convocar a toda a Igreja para rezar pela unidade dos Cristãos e pela unidade do Laicato. Que Nossa Senhora Auxiliadora, cuja data á celebramos ontem, possa fortificar a presença dos leigos e que Cristo possa triunfar no coração de cada um daqueles que permanecem do lado da Sua Igreja.

Dado em Roma, junto de São Pedro no dia 25 de maio do ano do Senhor de 2021, primeiro de meu Pontificado.

+ Filipe Pp.
Pontifíce Máximo

[1] Lumen Gentium, os leigos, homens e mulheres (cf. LG, 30-38), ponto a.
[2] Lumen Gentium, os leigos, homens e mulheres (cf. LG, 30-38), ponto b.
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