MAURO BARONI MORETTI
CARDEAL-BISPO DI PALESTRINA E ÓSTIA
PREFEITO DA CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO
E DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS
ORIENTAÇÕES LITÚRGICAS PARA O TEMPO DO ADVENTO
O mistério litúrgico do Advento
1. O Advento celebra a vinda de Jesus Cristo no tempo e na história dos homens, para trazer-lhes a salvação. É, portanto, o tempo da expectativa, e o cristão é chamado a vivê-lo em plenitude para poder receber dignamente o Senhor no momento em que vier. O Tempo do Advento marca o início do ano litúrgico, fazendo parte do Ciclo do Natal, composto pelo próprio Advento e o Tempo do Natal. A palavra “Advento” vem do latim, que significa: “espera”, “aproximar-se do que, aos poucos, vem chegando”. Assim como o Tempo da Quaresma, apropria-se de um silêncio oracional, uma penitência santificante e uma lida esperançosa do Evangelho. É por esta razão que o Advento é tempo de espera pelo nascimento de Jesus Cristo, nosso Senhor. Na dinâmica do ano litúrgico, nos prepara para sua encarnação, seu nascimento, mas também nos insere numa realidade escatológica: uma recordação dos dois anúncios, tanto de seu nascimento, quanto de sua volta. É por este motivo que o Advento não é somente sobre o nascimento que há de acontecer, mas de uma realidade futura, o próprio retorno de Jesus. Neste discurso, a Igreja utiliza dos mesmos sinais para nos alertar de dois eventos similares: um coração novo, sob penitência, para que Jesus possa nascer, e um coração novo, sob penitência, para que Jesus possa voltar.
2. Não é um tempo de tristeza, mas de uma alegre esperança pela vinda do Salvador, o Messias esperado. É por esta razão que o Advento é tempo de espera pelo nascimento de Jesus Cristo, nosso Senhor. Na dinâmica do ano litúrgico, nos prepara para sua encarnação, seu nascimento, mas também nos insere numa realidade escatológica: uma recordação dos dois anúncios, tanto de seu nascimento, quanto de sua volta. É por este motivo que o Advento não é somente sobre o nascimento que há de acontecer, mas de uma realidade futura, o próprio retorno de Jesus. Neste discurso, a Igreja utiliza dos mesmos sinais para nos alertar de dois eventos similares: um coração novo, sob penitência, para que Jesus possa nascer, e um coração novo, sob penitência, para que Jesus possa voltar.
3. Em 1962, o Concílio Ecumênico Vaticano II, concílio convocado pelo Papa João XXIII, que promoveu a mais recente reforma litúrgica da Igreja, acrescentou ao Tempo do Advento o sentido escatológico e estabeleceu 4 semanas de preparação, restaurando a tradição e a origem do Advento.
Celebrar bem o Advento é preparar-se bem para encontrar Jesus
DAS CELEBRAÇÕES
4. O Tempo do Advento começa nas primeiras vésperas do domingo que sucede ao dia 30 de novembro ou mais próximo desta data, e termina antes das primeiras vésperas do Natal. Por varias, a data do início do Tempo do Advento, tem ele uma duração de aproximadamente três ou quatro semanas. Os dias de 17 a 24 de dezembro constituem uma preparação mais direta para o Natal do Senhor.
5. A partir de 17 de dezembro, a celebração do Advento tem seu ponto de referência não na semana em curso, mas em cada dia do calendário a partir de 17 até 24 de dezembro. Por isso, com o acréscimo de tais dias, se interrompe a ordem na semana e se passa à celebração destes dias feriais.
6. Os dias feriais do Advento tomam a denominação da semana iniciada com o domingo; na prática, no Missal Romano, são apresentadas três semanas, porque a quarta coincide com os dias 17-24 de dezembro, considerados férias privilegiadas, que têm uma particular celebração.
7. Nas férias antes de 17 de dezembro, pode o sacerdote escolher a missa ferial ou a missa do santo ou de um dos santos de quem se faz comemoração, ou a missa de um santo recordado aquele dia no martirológio. Nas férias de 17 a 24 de dezembro, o sacerdote reza a missa do dia; pode tomar a coleta da comemoração eventualmente assinalada nesse dia no calendário geral.
8. Os dias de 17 a 24 de dezembro inclusive são
considerados férias privilegiadas: têm, portanto,
precedência sobre as comemorações obrigatórias.
9. Para a celebração da Eucaristia, as férias do Advento têm um Oracional próprio com um ciclo anual de leituras: da ordenada composição destes elementos resulta o formulário de Missa aqui proposto para cada dia da semana. Na prática, o Oracional é de índole semanal, com a coleta própria para cada semana. Os dias de 17 a 24 de dezembro apresentam uma celebração particular: quer o Oracional, quer o Lecionário são estritamente ligados ao dia do calendário e oferecem textos próprios, cujo escopo é preparar diretamente para a solenidade do Natal.
10. A solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria no dia 8 de dezembro, tem precedência sobre as férias do Advento e celebra-se do modo que lhes é próprio. Diz-se o Glória.
11. As memórias obrigatórias antes de 17 de dezembro têm precedência sobre as férias e celebram-se da maneira proposta no Próprio dos Santos.
12. O Hino do Glória a Deus nas alturas só se diz nas solenidades e festas, portanto é omitido aos domingos. O prefácio com que se inicia a prece eucarística, é próprio deste tempo e oferece dois textos.
DA COR LITÚRGICA
13. A cor litúrgica nas missas feriais e dominicais do Tempo do Advento é o roxo. “A diferença das cores nas vestes litúrgicas têm por intuito exprimir, até com meios externos, a característica particular dos mistérios da fé que se celebram, e o sentido da vida cristã a caminho, ao longo do ano litúrgico”.
14. No terceiro domingo do Advento, a cor litúrgica é ligeiramente suavizada para o rosa. Isso se dá pela proximidade das festas do Natal que espera-se celebrar no Advento. Pode-se usar, portanto, a cor rósea. Esta não seja usada em outra celebração. Onde não houverem paramentos da cor rosa, o roxo
deve ser usado.
DO CANTO LITÚRGICO
15. Valoriza-se muito a sobriedade e a calmaria das músicas no Tempo do Advento. Tempo que pede silêncio exige também mais simplicidade nas músicas, isto é, que o som do instrumento não seja estridente, que as melodias não antecipem a alegria do Natal e que o timbre tocado seja conforme pede o tempo.
DOS ORNAMENTOS
16. No Advento, a quantidade de flores, ornamentos e decorações no presbitério e em toda a igreja devem ser reduzidas para que os sinais do Natal não sejam antecipados.
17. Onde há o costume de montar a coroa do advento, que seja mantido, preparando um canto sóbrio, conforme pede o tempo, para este momento.
18. Se houver montagem de presépio, não expô-lo no presbitério, mas em outro lugar na igreja. O ideal é que o presépio não chame mais atenção do que o que está sendo celebrado no altar. A imagem do Menino Jesus, seja colocada apenas na celebração do Natal do Senhor, no dia 24 de dezembro.
19. Não sejam colocadas, de forma alguma, ornamentações natalinas dentro dos templos religiosos, salvo os dispostos nos itens 17 e 18.
Conclusão
20. Portanto, seguindo as orientações litúrgicas para este tempo, ainda assim somos chamados a celebrar nos altares a Eucaristia, fazendo desde momento litúrgico, tempo de espera pela vinda do Messias enviado por Deus. Contudo, sejam estas orientações seguidas pela Santa Igreja e pelos que nela se incluem.
Dado em Roma, aos 29 dias do mês de novembro de 2021, na sede da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos.
+ Mauro Baroni Moretti
Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos
Seções:
Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos
Mauro Baroni Moretti
Orientações Litúrgicas
Tempo do Advento