Carta Pastoral Apostólica - Prefeitura da Congregação para a Doutrina da Fé - Acerca das Heresias

 CARTA PASTORAL - PREFEITURA DA CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

Carta destinada aos Clérigos e Leigos da Santa Igreja Católica Apostólica Romana do Habblet.


GABRIEL MONTINI ALOISIUS RATZINGER
POR MERCÊ DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA
EM COMUNHÃO COM O ROMANO PONTIFÍCE 
ALEXANDRE IV, Pp.
CARDEAL PROTO-DIÁCONO DA SANTA IGREJA CATÓLICA E
PREFEITO DA CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ.

Caríssimos irmãos e irmãs, saúde e paz da parte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 
A Congregação para a Doutrina da Fé, cumprindo com o seu compromisso, dirige esta carta pastoral a todos os clérigos e leigos vinculados em comunhão com esta Sé, em comunhão com o Sumo Pontífice Alexandre IV:

HERESIAS


1. Nestorianismo: Divisão da natureza divina e humana de Jesus Cristo. Professa que Cristo é meio homem e meio Deus. E nesta heresia, crê-se que a Virgem Maria não é Mãe de Deus, ela é Mãe de Jesus homem, e não de Jesus Deus. Tal heresia foi combatida entre os Concílios de Niscéia e Éfeso, e no Segundo Concílio de Constantinopla, na qual a Igreja proclamou o Dogma de Maria Mãe de Deus, e professou que Jesus é todo homem e todo Deus, tais naturezas não se diferem e que sua humanidade foi unida à sua Divindade. Portanto, Cristo o 'Deus-homem', o termo grego citado no Concílio de Éfeso para explicar que Jesus Cristo é Deus e homem inteiro, sem distinção de natureza. "O Verbo se fez carne e habitou entre nós".

2. Arianismo: Heresia que professava que Jesus Cristo não era Deus, negando as Três Pessoas Divinas, a Santíssima Trindade. Esta, negava também que a Pessoa do Espírito Santo, era uma Criação de Jesus Cristo, que era Filho de Deus, mas não Deus, colocando-o numa figura de semideus. Esta ainda afirmava que o Filho era distinto substancialmente de Deus e que o Espírito Santo era outra substância distinta do Pai e do Filho. Colocando Deus Pai como a única figura de Pessoa Divina. A Igreja combateu esta heresia entre os Concílios de Niscéia I e Éfeso I, afirmando que Deus é Uno e Trino; professando que o Filho e o Espírito Santo procedem do Pai e que são consubstanciais; Três Pessoas Unas e Distintas. Uma só Divindade, mas Três Pessoas distintas. Numa perfeita Comunhão de Amor Eterno por toda a Eternidade. 

3. Adocionismo, Ebionismo, Monofisismo, Monotelismo e Monarquianismo: Ambas heresias que negam o dogma da Santíssima Trindade. Dizem que Jesus nasceu apenas homem é que não é Deus, e que se tornou 'Filho' de Deus, mas não Deus, após o seu batismo no Rio Jordão por São João Batista, e que sua adoção e graça foram dispensadas por Deus Pai após aquele momento; negando também que Ele é "o Verbo que estava junto de Deus" desde toda a Eternidade, negando também que "Ele é a Palavra Criadora", "que sem Ele nada foi feito, e que tudo foi feito por Ele e para Ele". Negavam também que Maria Santíssima era Virgem, colocando São José como seu pai biológico e não adotivo. A Igreja combateu estas heresias dos Concílios de Éfeso ao Segundo Concílio de Niscéia, e no Terceiro Concílio de Constantinopla. Reafirmando que Jesus é Deus, consubstancial ao Pai e que Nossa Senhora é sempre Virgem, antes, durante e depois do Nascimento de Jesus Cristo e que São José é seu pai adotivo. Ensinou-nos que o ato de Cristo de se batizar, não foi por necessidade, mas uma ação teológica de iniciar sua missão Messiânica e confirmar as professias dos antigos profetas que diziam acerca de São João Batista, precursor do Messias. 

4. Pelagianismo: Esta heresia nega que o pecado original foi algo que afetou toda a humanidade, que tenha afetado apenas Adão e Eva e professa que a salvação é mera questão moral. E que todo homem pode ser salvo se assim desejar, pois nenhum nasce com o pecado original, que todos nascem "moralmente neutros". Diz que a graça de Deus é desnecessária para a salvação dos homens e que não interfere na humanidade. Enxergam a Sagrada Escritura apenas como "bons exemplos" e "maus exemplos" e não como uma extensa ação da Graça de Deus para a Redenção da humanidade. A Igreja combateu esta heresia no Primeiro Concílio de Éfeso, afirmando que o pecado de Adão afetou toda a humanidade e todo o mundo, portanto Cristo precisou vir para ser o supra-sumo Cordeiro Imolado, na qual findaria todos os sacrifícios e holocaustos recomendados pela Lei Mosélica. E que Cristo nos redimiu no Pai para que possamos chegar à Morada Eterna, como São Paulo disse em sua Carta, "é por graça que somos salvos"

5. Origenismo: Ideia que tem fundamento em duas heresias, a primeira afirma que a alma pré-existe antes de se encarnar num corpo mortal. E outra que diz que os eventos do Apocalipse não são o "verdadeiro" desfecho da salvação dos homens, pois Deus criou também outros mundos, além deste que nós vivemos e que o Verbo Divino se encarnou neste mundo como Jesus Cristo, bem como se encarna em outros mundos, e que se encarnará novamente após os eventos do Apocalipse para salvar as almas que estão condenadas no inferno; tal crença se denominou de Apocatástase. A Igreja combateu esta heresia no Segundo Concílio de Constantinopla, professando que Cristo se encarnou apenas uma vez, e não se encarnará novamente, pois foi Ascento aos céus 10 dias antes de Pentecostes. Mas virá sim, em glória para julgar vivos e mortos e fará novos céus e nova terra. A Igreja também afirmou que a alma é criada já no primeiríssimo instante da gestação, no mesmo momento da fecundação.

6. Catarismo: Heresia que diferensiava Deus em duas divindades, a do Antigo Testamento um deus mau e o do Novo Testamento um deus bom. Diz que tudo o que é matéria visível e sensível foi criado pelo deus mau, inclusive o pecado na humanidade e que o deus bom criou o Paraíso e se encarnou para nos conduzir a ele, professando assim que tudo se baseia numa dualidade do bem e do mal. A Igreja combateu essa heresia no Terceiro Concílio de Latrão, afirmando que Deus é único. Que Deus é Uno. Afirmou que o pecado foi fruto da liberdade dos anjos que se rebelaram e que induziram Adão e Eva, na qual caíram em tentação e permitiu assim que o pecado entrasse no mundo. Isto justifica toda a ação de Deus que "é amor, é clemente, compassivo e misericordioso, lento para a cólera e de eterna bondade", no Antigo Testamento, na qual quis salvar toda a humanidade por meio de Jesus Cristo, porém "veio para os seus, e os seus não o reconheceram". 

7. Valdensianismo: Ideia herética que leva apenas em conta o bem material, e coloca as coisas materiais acima da graça de Deus. Heresia que prega viver na pobreza, pois somente assim que se pode ser salvo. No Terceiro Concílio de Latrão, a Igreja atacou esta heresia dizendo que quem salva é a graça de Deus, independente dos bens materiais que a pessoa possui. Pois não é o quanto que a pessoa tem, mas o que ela faz com o que tem. A Igreja reafirma que tudo é graça de Deus, até mesmo a bonança. Ser pobre ou rico, não é um fator considerado para ser salvo, mas sim as boas práticas de virtude e caridade, segundo as leis e o mais importante: a graça de Deus.

8. Teologia Hussita e o Lollardismo: Professavam que os sacramento da Ordem deveria se findar, pois o sacerdócio é algo próprio dos leigos e que não há alguma diferença entre Clérigos e Leigos senão pela política das funções. Defendiam que a Igreja deveria se livrar de todos os "bens" materiais (igrejas, palácios, casas e relíquias e artefatos religiosos e históricos), pois deveriam ser pobres como os Valdenses. Os mesmos negavam a transubstanciação para dar lugar a consubstanciaçao das espécies (pão = Corpo de Cristo e vinho = Sangre de Cristo), isto é, acreditar que o pão é da mesma substância do Cropo de Cristo, mudando a matéria do pão, e que o vinho é da mesma substância do sangue de Cristo, mudando a matéria do vinho. Dizia que a Igreja era uma falsa igreja e a verdadeira igreja de Cristo eram eles. A Igreja combateu essas heresias no Concílio de Constança, afirmando que na Hóstia, Cristo se faz presente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade (bem como no vinho consagrado), mas não muda a matéria da substância do pão (bem como no vinho), o pão continua sendo pão e o vinho continua sendo vinho, porém na presença real de Jesus Cristo, isto é, a transubstanciação. Reafirmou que Cristo é um só para com a Igreja, mas há o Cristo Cabeça que são os Clérigos e Cristo Corpo que são os fiéis, e que os fiéis estão subordinados aos Clérigos, mas todos convivem numa mesma união que forma o Cristo Todo. A Igreja reafirmou novamente o que se disse no Terceiro Concílio de Latrão sobre o Valdensianismo. 

9. Protestantismo: Em suma é uma gama de ideias heréticas que perdura até os nossos dias de hoje, mesclando várias outras heresias antigas e com novas que se surgiram a partir desta. Nega a autoridade papal sobre a Igreja, além de negar que a Igreja Católica é a própria Igreja de Cristo; Nega a espiritualidade e teologia dos sacramentos; Nega a presença real de Cristo na Eucaristia; Nega os dogmas, as tradições e a sucessão apostólica; Afirma que crer é o suficiente para realizar um papel "sacerdotal", pois o "leigo" é suficientemente sacerdote; afirma que ter fé é suficientemente para ser salvo, independente de obras realizadas; afirma que a Bíblia é a única fonte de fé válida. A Igreja começou combater esta heresia desde o Concílio de Trento. A Igreja professa o sacerdócio do sacramento da Ordem como vontade e instituição divina, prefigurado no Antigo Testamento com Aarão e os Levitas, e realizado por Jesus Cristo a partir dos Apóstolos eleitos por Ele. Professando também a autoridade da Cátedra Petrina, liderança do sucessor de Pedro, também querido por Jesus Cristo na qual o mesmo "deu as chaves do Reino dos Céus" para Pedro e instituiu a Pedro "a pedra sobre Cristo na qual seria fundada a Igreja e que as forças infernais jamais prevaleceriam contra Ela"; A Igreja professa que "a fé sem (boas) obras é uma fé morta" e que devemos cultivar com tais obras o Reino dos Céus já em nosso cotidiano com as obras de misericórdia, a caridade e a esmola. A Igreja reafirmou os sete sacramentos como instituição divina a partir de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas já prefigurados no Antigo Testamento, e colocados como O único Meio para a Salvação, e que fora dos Sacramentos (da Igreja Católica), não há salvação. Tantos outros contra-argumentos às 95 teses luteranas foram rebatidas e explicadas no mesmo Concílio Tridentino.

10. Racionalismo, Materialismo e Liberalismo: Heresias estas que se baseiam em crer apenas naquilo que se pode ter certeza; que seja matéria física; que possa se provar, descartando a existência de Deus e de toda a realidade espiritual, fazendo com que a existência da Igreja e a ação da graça de Deus na humanidade fosse vão e insignificante. Em especial, o liberalismo vai dar espaço não só a futuras heresias mas também a ações perversas, maliciosas, pecaminosas e imorais; tal pensamento tolera até mesmo ideias contrárias à Verdade defendida pela Igreja. A Igreja iniciou o combate destas heresias no Concílio Vaticano I, e mantém combatendo até hoje. A Igreja reafirma que "não só de pão (matéria) o homem vive, mas da Palavra de Deus", reafirma também os testemunhos Evangélicos de todo os acontecimentos divinos em que Deus, com Sua graça, demonsta à humanidade sua força, e que Ele é um Deus presente no meio de nós e que "estará conosco até o fim". E com estes mesmos testemunhos, coloca à prova os milagres que Deus operou ao longo da história da Igreja. A partir deste Concílio a Igreja professa que devemos defender a Fé pela causa de Cristo e zelar pelo que é justo e bom; cuidar da moralidade cristã, tanto na nossa vida cotidiana quanto nos estudos.

11. Socialismo e Comunismo: Ambas ideias Marxistas heréticas que visam o material acima do indivíduo, tirando os direitos naturais dos indivíduos. A Igreja combateu fortemente estas ideologias desde o Papa Leão XIII até o Papa São João Paulo II. A Igreja excomunga simpatizantes destas ideologias desde o Decreto do Venerável Papa Pio XII. Defendendo que todo homem tem direito à propriedade privada e bens privados, e que lhe é conveniente e justo que ele prospere em honestidade. Nestas mesmas ideologias foi embotido o ateísmo, na qual a Igreja tornou a rebater com os argumentos do Concílio Vaticano I. 



(Todos estes dados foram expostos de acordo com a Igreja Católica da realidade)

Eis aqui muitos exemplos de heresias que a Igreja enfrentou e enfrenta. Mas, irmãos em cristo, sejamos firmes na Doutrina do Senhor, pois Ele nos dá forças para segui-la. O Espírito Santo conduz a Igreja e a protege contra todos os males. Todas as heresias e ataques à Sã Doutrina nos mostram que as forças infernais existem, mas nunca prevalecerão contra nós. Pois o Senhor é conosco. 
Invoquemos o Espírito Santo todos os dias sobre nossas vidas e sobre nosso Clero, para que ele nos conduza à santidade e ao espírito missionário que Evangeliza todos os povos e nações.

Que possamos iluminar nossa mente com a Verdade, que é a Palavra de Deus, e assim perfeitamente servi-lo e adorá-lo. 

A todos que lerem esta Carta Pastoral , sejam munidos da benção apostólica + .

 

Gabriel Card. Montini Aloisius


Roma, 05 de julho do Ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2022, primeiro do nosso Pontificado.

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