Carta ao Clero | Dicastério para o Clero

 


DICASTÉRIO PARA O CLERO

Dom Leopoldo Jorge Cardeal Scherer
À Mercê de Deus e da Santa Sé Apostólica,
Cardeal proto-presbítero di Regina Apostolorum,
Prefeito do Dicastério para o Clero.

CARTA ABERTA

Aos estimados Cardeais, Bispos, Padres e Diáconos, e a todos os que lerem minhas letras, saúde e paz.

Por meio desta carta, dirigida a todo o clero, desejamos recordar a importância da unidade da Igreja e a necessidade de preservar a comunhão eclesial, especialmente em tempos de desafios e provações. Como pastores do rebanho de Cristo, somos chamados a viver e testemunhar a fé na fidelidade ao Santo Padre e ao Magistério autêntico da Igreja.

Nos últimos dias, infelizmente, temos testemunhado a emergência de uma divisão que tem causado inquietação e confusão entre todos nós. Em particular, a recente autoproclamação do Sr. Diofante como “Papa Silvestre” gerou uma situação que requer prudência e firmeza por parte do clero. Em conformidade com a determinação do Santo Padre, pede-se a todos os sacerdotes, diáconos e religiosos que evitem qualquer tipo de contato ou proximidade com aqueles que aderiram a essa cisão, especialmente no âmbito do apostolado e das celebrações litúrgicas.

Nos ensina o Apóstolo Paulo: “Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer” (1Cor 1,10). A unidade da Igreja é dom precioso que nos foi confiado pelo próprio Cristo, que orou ao Pai pedindo: “Que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti” (Jo 17,21). Diante disso, é essencial que nosso testemunho seja coerente com essa vocação à comunhão e à fidelidade.

O Magistério da Igreja tem constantemente reafirmado a necessidade de preservar a unidade. São João Paulo II, na encíclica Ut Unum Sint, recordava que “a divisão entre os cristãos é um escândalo para o mundo e um obstáculo à proclamação do Evangelho” (n. 6). O Papa Bento XVI, por sua vez, advertia que “a verdadeira renovação da Igreja não se alcança através de rupturas ou cisões, mas mediante um aprofundamento na fidelidade ao depósito da fé” (Discurso à Cúria Romana, 22 de dezembro de 2005).

Embora a Igreja sempre valorize o diálogo como meio de reconciliação e unidade, é essencial que este primeiro seja conduzido com a devida organização e discernimento pelo Colégio dos Cardeais e pelas instâncias competentes.

Assim, até que se estabeleça um caminho seguro para tratar desta questão, exortamos o clero a evitar a presença e a colaboração pastoral com clérigos que se identificam com essa divisão, sobretudo em celebrações litúrgicas, eventos e atos públicos. Orientem os fiéis para que não se deixem confundir por esta situação, reforçando a fidelidade ao Papa e à Santa Sé. Mantenham a prudência e o silêncio respeitoso diante de provocações ou desafios que possam surgir, evitando qualquer forma de escândalo ou desentendimento público. Reportem ao respectivo Ordinário qualquer situação que possa comprometer a unidade da Igreja, para que as devidas medidas sejam tomadas.

Reafirmamos que tais medidas não visam excluir ou condenar, mas garantir a harmonia e a estabilidade da Igreja, protegendo os fiéis de divisões prejudiciais. Unidos na oração e na obediência, confiamos que o Senhor guiará a sua Igreja à plena comunhão, fortalecendo-nos no caminho da verdade e do amor.

“Permanecei firmes e guardai as tradições que vos ensinamos, seja por palavras, seja por epístola nossa” (2Ts 2,15). Contamos com a colaboração e o zelo de cada sacerdote e diácono para que esta orientação seja observada com espírito de fé e fidelidade à Igreja.

Dado em Roma, na sede do Dicastério para o Clero, aos 11 dias do mês de março do ano do Senhor de 2025, Jubileu da Esperança e primeiro do nosso Pontificado.

+ Leopoldo Jorge Scherer, O.Carm
Prefeito
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