A Sua Excelência Reverendíssima, Dom Luca Marini, Arcebispo de Aparecida e ao Clero Arquidiocesano, minha saudação, solidariedade, paz, conforto e benção apostólica.
1. Com o coração profundamente entristecido, recebo a notícia da destruição e vandalização do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, um golpe doloroso não apenas para os fiéis do Brasil, mas para toda a Igreja. Assim como outrora sofremos com a profanação da Arquibasílica de São João de Latrão, agora assistimos, uma vez mais, ao ataque contra um dos templos mais amados da cristandade.
2. Dirijo-me a vós, querido irmão no episcopado, com palavras de solidariedade e encorajamento. Lembro-me bem de há poucas horas, em que, durante a homilia da Missa da imposição do Pálio Pastoral, vos disse: "Lembra-te que carregar este Pálio é carregar a responsabilidade de um Pastor. Lembra-te que virão momentos em que tudo parece sucumbir, porém, deves recordar imediatamente as palavras de Nosso Senhor a Pedro: ‘E as portas do inferno não prevalecerão’ e de que ‘estou convosco até ao final dos tempos’ (cf. Mt 28,20). E será nesse momento que deverás erguer teu báculo e conduzir o rebanho pelo caminho certo."
3. Chegou esse momento, caro irmão. "No mundo tereis tribulações, mas tende coragem: Eu venci o mundo" (Jo 16,33). Hoje, Aparecida chora, mas não se desespera; sofre, mas não perde a fé. Pois sabemos que aquilo que é erguido para a glória de Deus pode ser ferido pelas mãos dos homens, mas jamais será destruído na alma dos fiéis. A Virgem Santíssima, a quem este Santuário pertence, permanece firme junto ao povo brasileiro, como permaneceu junto à Cruz de Seu Filho (cf. Jo 19,25).
4. Olhando para a Igreja ao longo dos séculos, vemos que cada ataque sofrido foi, na verdade, ocasião para um novo vigor e crescimento. "Tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus" (Rm 8,28). Assim, creio firmemente que este sofrimento não será em vão, mas servirá para reacender ainda mais a fé desse povo amado, que sempre encontra na Mãe Aparecida o consolo e a força para seguir adiante.
5. Quero assegurar-vos que já tomei providências junto ao Instituto para as Obras de Religião, garantindo o envio de uma quantia para ajudar na reconstrução do Santuário, assim como fizemos com Latrão. Contudo, mais do que tijolos e ouro, é a fé do povo unido que restaurará esta casa sagrada. Eis a hora de conduzi-los, de levantar vossas mãos e, como Moisés diante da batalha (cf. Ex 17,11-12), manter firme a confiança na vitória do Senhor.
6. Por isso, convoco toda a Igreja a um momento de reparação. No próximo sábado, às 22h00, reuniremos nossos corações na Basílica Velha, onde presidirei a Santa Missa em intenção e reparação por este crime contra a Casa de Deus. Sei que muitos, de longe, unir-se-ão espiritualmente a nós, pois "Se um membro sofre, todos os outros sofrem com ele" (1Cor 12,26).
7. Nestes tempos de provação, recordemos as palavras de Santa Teresa de Jesus: "Nada te perturbe, nada te espante. Tudo passa, Deus não muda. A paciência tudo alcança. Quem a Deus tem, nada lhe falta. Só Deus basta." A Igreja já enfrentou muitas tempestades e, sempre que tudo parecia ruir, o Espírito Santo renovava todas as coisas. Também agora, Ele nos sustentará!
8. Confio-vos à proteção de Nossa Senhora Aparecida e à intercessão de todos os santos que, no céu, rezam por nós. Com minha Bênção Apostólica, pedindo a Deus que vos fortaleça e guie nesta missão árdua, mas santa.
Dado em Latrão, sede apostólica e Diocesana de Roma, aos 22 dias de março do ano do Senhor de 2025, Jubileu da Esperança e primeiro do meu pontificado.

