CARTA APOSTÓLICA
AEDIFICANTES IN CHRISTO
DO SUMO PONTÍFICE
JOÃO PAULO, BISPO
SERVO DOS SERVOS DE DEUS
25 de abril de 2025.
Estimados irmãos e irmãs,
Após o breve e significativo Pontificado de Leão V, o Espírito Santo, em sua divina providência, mais uma vez escolheu-me, por meio dos meus irmãos Cardeais, para vos guiar nesta missão tão sublime quanto exigente.
No instante em que fui indagado, confesso que meu coração vacilou, e em meus lábios pairava um “não” temeroso. Contudo, como uma chama que arde sem se apagar, ressoou em minha alma a voz da Escritura: "Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a Igreja de Deus, que Ele adquiriu com o Seu próprio sangue.” (At 20,28). Como poderia eu recusar o chamado do Senhor?
Este mesmo chamado ecoou na vida de Samuel, de Pedro, e de tantos outros que, ao ouvirem a voz de Deus, disseram com fé: “Eis-me aqui.” Também eu, pequeno servo da vinha do Senhor, me coloco à disposição para continuar este serviço, não por mérito, mas por obediência e amor.
Assumo este ministério com humildade, reconhecendo que os tempos são desafiadores e exigem de nós coragem evangélica. Hoje, mais do que nunca, devemos proclamar a humildade e o amor como fundamentos da nossa missão. Vivemos numa realidade em que a evangelização virtual, tão promissora, corre o risco de se desvirtuar. Infelizmente, muitos buscam cargos e títulos como se fossem coroas de glória humana, perseguem quem luta pela dignidade do apostolado e permitem que favoritismos minem a comunhão.
Diante disso, afirmo com clareza: basta! Chegou o tempo de retomarmos o verdadeiro espírito missionário. Precisamos sair de nossas estruturas de comodidade e ir ao encontro do outro, tal como fez Cristo. O apostolado virtual deve ser vivido a partir das raízes da humildade, da coerência, da disciplina e do amor. Acabou-se o tempo de transformar ministérios em disputas eclesiásticas. Aqueles que voltarem ao serviço, que o façam com seriedade, espírito de sacrifício e dedicação pastoral.
Não somos servidores de vaidades nem curadores de estruturas ocas. Somos, acima de tudo, discípulos do Ressuscitado, chamados a reedificar a Igreja com esperança e coragem. A missão que temos neste espaço virtual não é de nos promovermos, mas de anunciar o Evangelho com integridade e alegria.
Neste momento solene, também nos unimos em oração e luto pela partida do nosso amado Papa Francisco, que, na vida real, foi chamado à Casa do Pai. No dia em que os sinos da Igreja anunciavam a Ressurreição do Senhor, Cristo Ressuscitado veio ao seu encontro. O Papa Francisco foi, para todos nós, testemunha de uma Igreja de portas abertas, que acolhe “todos, todos, todos.” Rendemos graças por sua vida, por seu ministério e pela esperança que semeou no coração da Igreja.
Portanto, meus irmãos, é tempo de edificar. É tempo de recomeçar com coragem, de renovar o ardor missionário e mostrar ao mundo que ainda há esperança. Vivemos o Jubileu da Esperança, e é sob este sinal que desejamos caminhar.
Peço-vos, com humildade: rezem por mim. Somente com a força da vossa oração poderei cumprir com fidelidade esta missão. Que minhas palavras, pensamentos e ações sejam sempre conduzidos pela graça de Deus.
Sejamos um só corpo, unidos no mesmo Espírito, caminhando juntos. Levemos Cristo a todos os cantos deste espaço. Com Carlo Acutis como nosso patrono e guia, aprendamos o amor apaixonado pelo serviço, pela Eucaristia e pela simplicidade evangélica.
Agradeço, de coração, aos irmãos Cardeais pela confiança. Que esta nova etapa de nosso apostolado seja marcada pela comunhão, pela fidelidade e por uma entrega sincera ao Evangelho. Aguardarei, com os braços abertos, por todos, todos, todos.
Com amor e bênção apostólica, tenho-os nas minhas orações,

