Regina Cæli | III Domingo da Páscoa (04/05) - João Paulo IX

REGINA CÆLI
04 de Maio de 2025
Praça de São Pedro, Vaticano
Papa João Paulo IX

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Neste belo domingo de primavera, reunidos na Praça de São Pedro, celebramos com alegria o III Domingo da Páscoa. O tempo pascal continua a ressoar em nossos corações como um canto de esperança renovada: Cristo ressuscitou, verdadeiramente ressuscitou! Aleluia!

No Evangelho de hoje, o Evangelista João nos leva à margem do Mar de Tiberíades, onde Jesus Ressuscitado aparece aos seus discípulos e os convida novamente à comunhão. A cena é de grande beleza: depois de uma noite infrutífera, os discípulos reconhecem o Senhor quando obedecem à Sua palavra — e, ao puxarem a rede cheia de peixes, percebem que o vazio da noite só se enche na obediência à voz de Deus.

Mas o momento mais tocante deste encontro acontece ao redor de um simples fogo aceso por Jesus. Ali, o Ressuscitado não os repreende, não lhes faz perguntas severas, não lhes aponta os erros. Pelo contrário, Ele prepara-lhes um café da manhã. Sim, irmãos e irmãs, o Senhor Ressuscitado nos espera com pão e peixe sobre as brasas. Um gesto terno, doméstico, profundamente humano — e, ao mesmo tempo, divino.

E ali, diante daquele fogo, Jesus dirige a Pedro a pergunta que ecoa até hoje: “Simão, filho de João, tu me amas?”. Três vezes. Não para humilhá-lo, mas para restaurá-lo. Pedro, que o negara três vezes, é agora chamado três vezes a amar. Com esta tríplice pergunta, Jesus não apenas perdoa Pedro, mas lhe confia novamente a missão: “Apascenta as minhas ovelhas.”

Meus irmãos e irmãs, hoje o Senhor também nos pergunta: “Tu me amas?”. Ele não espera de nós respostas perfeitas. Espera um coração sincero. Espera o nosso “sim” entre lágrimas e alegrias, entre quedas e recomeços. O amor que Jesus nos pede é o amor que se entrega mesmo ferido, que confia mesmo sem entender, que recomeça mesmo cansado.

E neste domingo tão especial, quero dirigir uma palavra do coração a todas as mães do mundo. Hoje, em muitos países, celebramos o Dia da Mãe. E que bela coincidência nos oferece a Providência: que esta celebração recaia justamente neste Evangelho onde Jesus cuida, alimenta, perdoa e chama — como fazem tantas mães todos os dias, silenciosa e incansavelmente.

Queridas mães: como Jesus naquele café da manhã à beira-mar, vós também preparais a vida dos vossos filhos com amor. Sois as primeiras a acreditar, mesmo quando tudo parece escuro. Sois as primeiras a perdoar, mesmo sem palavras. Sois, muitas vezes, as últimas a adormecer e as primeiras a acordar, vivendo o vosso “sim” cotidiano com heroísmo escondido.

Hoje, do coração da Igreja, quero dizer-vos: obrigado. Obrigado pelo dom da vossa vida, da vossa ternura, da vossa força, da vossa fé.

E rezamos hoje de modo especial pelas mães que sofrem: pelas que choram os filhos perdidos pela violência, pela guerra, pela miséria. Pelas mães doentes, cansadas, sozinhas. Pelas mães que, como Maria aos pés da cruz, continuam firmes, oferecendo tudo por amor. Que a Virgem Santíssima as console e fortaleça.

E agora, com o coração cheio da presença do Ressuscitado e unidos em oração a todas as mães da terra e à Mãe do Céu, invoquemos juntos a intercessão de Maria...

E a todos vós, queridos peregrinos presentes nesta Praça e a todos os que nos acompanham pelos meios de comunicação, desejo um domingo cheio da paz do Ressuscitado.

Que Maria Santíssima, Mãe da Igreja e nossa Mãe, vos proteja. E que o seu exemplo de escuta, coragem e fidelidade nos ajude a responder, como Pedro, com todo o coração: “Senhor, tu sabes tudo… tu sabes que eu te amo.”

Feliz Dia da Mãe. Que Deus vos abençoe.
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