REGINA CÆLI
25 de Maio de 2025
Praça de São Pedro, Vaticano
Papa João Paulo IX
Primeiro mês de Pontificado
Queridos irmãos e irmãs, boa tarde.
Neste belo Domingo da Páscoa, o sexto deste tempo luminoso, a Palavra de Deus convida-nos a aprofundar o mistério da presença do Ressuscitado entre nós. Jesus diz no Evangelho: «Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos a nossa morada» (Jo 14,23).
Estas palavras são, ao mesmo tempo, promessa e missão. O Senhor Ressuscitado não está longe, nem ausente. Ele vive no meio de nós, e quer viver em nós. Mas a condição é clara: amá-lo e guardar a sua Palavra. Não se trata apenas de escutá-la com os ouvidos, mas de acolhê-la com o coração e de vivê-la com fidelidade no dia a dia.
Jesus promete também o dom do Espírito Santo, o Defensor. Ele ensinará todas as coisas e recordará tudo o que Cristo nos disse. Este Espírito é quem guia a Igreja ao longo da história. Ele é memória viva de Jesus, é força para caminhar, luz para discernir, paz no meio das provações.
Esta promessa da presença de Deus em nós e entre nós aparece também, de forma maravilhosa, na segunda leitura, tirada do livro do Apocalipse: a visão da Jerusalém celeste, onde já não há templo, porque Deus mesmo é a sua morada. A cidade resplandece da glória de Deus, e a sua luz é o Cordeiro. Que bela imagem da Igreja, chamada a ser sinal visível da comunhão eterna com Deus!
E na primeira leitura, dos Atos dos Apóstolos, vemos como a Igreja, desde os seus primórdios, soube enfrentar desafios e tensões com sabedoria e escuta. «O Espírito Santo e nós decidimos…» — eis a fórmula de um verdadeiro discernimento eclesial. Não decisões solitárias, mas comunhão. Não imposição de fardos, mas serviço à liberdade do Evangelho.
Queridos irmãos e irmãs,
Hoje, ao fazer um mês desde que fui chamado a servir como Bispo de Roma, elevo o coração em ação de graças ao Senhor e à Virgem Maria, Mãe da Igreja. Agradeço a cada um de vós, aqui presentes ou unidos pela oração em tantas partes do mundo. Obrigado por me acompanhardes com o vosso afeto, com as vossas palavras, com os vossos silêncios cheios de oração.
Neste mês inicial de pontificado, tenho aprendido que o ministério de Pedro é antes de tudo escuta: escutar Deus, escutar a Igreja, escutar os sofrimentos do mundo. E é também confiança: confiar no Espírito Santo que conduz a barca da Igreja mesmo em águas agitadas.
Nesta manhã, com alegria, celebramos também a inauguração das fachadas restauradas do Palácio Apostólico e da Capela Sistina, sinais visíveis de uma herança espiritual e artística que pertence a toda a humanidade. Estas pedras falam de fé, de beleza, de transcendência. A sua restauração recorda-nos que a Igreja deve também renovar constantemente o seu rosto, para refletir melhor a luz do Ressuscitado.
E à medida que nos aproximamos de um novo Concílio, confiamos tudo à proteção de Nossa Senhora. Que seja Ela, como em Caná, quem nos diga de novo: «Fazei tudo o que Ele vos disser». Que Maria nos ajude a permanecer unidos, abertos ao Espírito, fiéis ao Evangelho.
Com estes sentimentos, rezemos juntos a oração que, neste tempo pascal, nos faz levantar os olhos à Rainha do Céu.
Queridos irmãos e irmãs, saúdo a todos vós, romanos e peregrinos aqui reunidos, que vindes de tantas partes do mundo para este encontro de fé e de oração. Uma saudação especial dirijo aos peregrinos de língua portuguesa e espanhola, especialmente:
– aos irmãos e irmãs vindos do Brasil,
– de Portugal,
– da Espanha,
– da Argentina,
– do Chile e do Paraguai.
Obrigado pela vossa presença calorosa! Que o Senhor vos abençoe abundantemente, que vos conceda paz nas famílias, esperança nas provações e coragem na fé. Que Nossa Senhora vos conforte e vos acompanhe sempre com sua ternura materna.
A todos desejo um bom domingo e um tempo pascal cheio de alegria e consolação no Senhor. Levemos conosco a paz de Cristo e sejamos, no mundo, testemunhas do seu amor.
Boa tarde e um bom jantar. Até para a próxima semana. Não esqueceis: Rezai por mim.