HOMILIA DE SUA SANTIDADE
JOÃO PAULO IX
JUBILEU DOS RELIGIOSOS/AS
DISCURSO AOS RELIGIOSOS E CONSAGRADOS
Sala Paulo VI - 26/05/2025
Queridos irmãos e irmãs na vida consagrada,
religiosos e religiosas, consagrados e consagradas,
Com grande alegria e comoção no coração, dirijo-me a vós hoje. Reunir-me convosco, homens e mulheres que consagraram suas vidas inteiras ao Senhor, é sempre um momento de graça, de contemplação do mistério vivo da entrega total, da resposta generosa, do amor que se faz dom.
Sois o rosto da esperança silenciosa da Igreja! Em vós vemos o coração que arde, o joelho que se dobra, o silêncio que fala, as mãos que servem. A vida consagrada é um sinal profético — não porque esteja distante da realidade, mas porque mergulha tão profundamente no coração de Deus e do ser humano, que antecipa, aqui e agora, os traços do Reino.
Esta é a beleza da consagração para cada um de vós, ao pronunciar o vosso “sim” ao Senhor, deu um passo de fé. Não um salto no escuro, mas um salto na luz — a luz de Cristo ressuscitado, que vos chamou pelo nome. Essa resposta não foi apenas um momento isolado. É um “sim” que se renova cada manhã, muitas vezes em meio à aridez, à luta interior, às incompreensões, às alegrias discretas que só os olhos de Deus contemplam.
Vosso testemunho é precioso porque fala numa linguagem que o mundo, tão sedento de sentido, ainda consegue ouvir: a linguagem da fidelidade, do serviço escondido, do amor incondicional.
A vida religiosa não é um refúgio; é missão. É lançar-se ao encontro das periferias, não apenas geográficas, mas existenciais. Vós sois enviados, como os primeiros discípulos, a curar os corações partidos, a tocar as feridas do corpo e da alma, a anunciar com a vossa vida que Deus é Pai e que ninguém está sozinho.
Quantos de vós vivem em contextos de extrema pobreza, violência, abandono... e ali permanecem, como sinais da ternura de Deus, como lâmpadas acesas na noite. A vossa presença silenciosa e orante nas comunidades, nas escolas, nos hospitais, nas prisões, entre os migrantes, com os jovens, com os idosos — é o Evangelho vivo!
Vos peço: não percais nunca o ardor missionário! Que a chama do primeiro amor não se apague. Quando o cansaço vier, lembrai-vos do olhar de Jesus no momento do chamado. Quando a dúvida vos visitar, voltai ao silêncio do Coração de Cristo. Quando parecer que a vossa missão é pequena, lembrai-vos que Deus age nas coisas simples, e que nenhuma semente de amor se perde.
Queridos irmãos e irmãs, num mundo marcado pela fragmentação, pelas divisões, pela pressa, vós sois chamados a ser mestres da comunhão. A vossa vida comunitária, com todas as suas alegrias e desafios, é já um testemunho de reconciliação e de fraternidade. Que nunca falte entre vós o perdão mútuo, a paciência e a alegria de caminhar juntos.
Cuidai uns dos outros! O demônio da autorreferencialidade, do individualismo, também bate à porta dos mosteiros, das casas religiosas. Combatamo-lo com a humildade e a alegria da fraternidade. Uma comunidade unida é uma luz forte no meio da noite.
Muitos dizem que a vida consagrada está em crise. Eu vos digo: não está em crise a vida consagrada, está em crise o mundo que esqueceu Deus. Por isso, sois mais necessários do que nunca!
O Senhor continua a chamar. Mas precisamos de comunidades capazes de acolher, formar e acompanhar. Precisamos de testemunhos que encantem, que mostrem que vale a pena dar tudo por Cristo. Por isso, quero dizer especialmente aos jovens religiosos e religiosas: sede ousados, sede santos, sede apaixonados por Jesus! Não vos conformeis com uma vida morna. O mundo não precisa de consagrados apagados, mas de almas inflamadas.
Um Obrigado do Coração!
Quero terminar com uma palavra simples, mas cheia de gratidão: obrigado. Obrigado pela vossa entrega. Obrigado pelas noites em oração. Obrigado pelas lágrimas silenciosas que ninguém viu, mas que Deus recolheu. Obrigado pela fidelidade nos pequenos gestos. Obrigado por permanecerdes firmes quando tudo parecia desmoronar. Obrigado por serdes candeias acesas junto ao Coração de Cristo.
Confio-vos à proteção da Virgem Maria, primeira consagrada, mulher da escuta, do serviço e da fidelidade. Que Ela vos abrace, console e renove a vossa esperança.
E agora, de coração de Pai, sobre cada um de vós, sobre vossas comunidades e missões, invoco a bênção de Deus. Levai a todos o perfume de Cristo. Sede luz no mundo, sal na terra, coração batendo no seio da Igreja.
Obrigado!
Continuai!
Coragem!
O Senhor está convosco!
