HOMILIA DE SUA SANTIDADE
JOÃO PAULO IX
JUBILEU DOS RELIGIOSOS/AS
VISITA À ORDEM DO CARMO
VI DOMINGO DO TEMPO COMUM
SANTA MISSA DOMINICAL
Basílica de Nossa Senhora do Carmo - 25/05/2025
Queridos irmãos e irmãs em Cristo, Querido Dom Wesley, Reitor desta Basílica de Nossa Senhora do Carmo, queridos Carmelitas e Religiosos/as;
Hoje, reunidos neste VI Domingo da Páscoa, somos acolhidos por uma Palavra que nos enche de consolo, de paz e de esperança. Ainda envolvidos pela luz da Ressurreição, o Senhor nos prepara para a vinda do Espírito Santo — o Defensor — e nos convida a uma comunhão mais profunda com Ele: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada.”
É uma promessa grandiosa: Deus quer fazer morada em nós! Não apenas visitar, mas permanecer. E como se dá essa habitação divina? Pela escuta fiel da sua Palavra, pelo amor concreto a Cristo, e pela abertura ao Espírito Santo, que nos ensina e nos recorda tudo o que Jesus nos disse.
Neste Evangelho, Jesus antecipa aos discípulos que vai partir — e, com isso, surge a inquietação, o medo. Mas Ele também anuncia a paz: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou.” Esta não é uma paz ilusória, feita de acordos frágeis, mas a paz sólida que nasce da certeza de que, mesmo na ausência visível de Cristo, Ele permanece conosco pelo Espírito e pela sua Palavra.
Na primeira leitura, tirada dos Atos dos Apóstolos, vemos como a Igreja nascente enfrentava tensões e discernia caminhos. É belíssima a expressão usada ao final do texto: “O Espírito Santo e nós decidimos…” — eis a dinâmica da sinodalidade: escutar juntos, decidir juntos, sob a luz do Espírito. Um belo retrato da Igreja que caminha unida, mesmo nas diferenças, buscando sempre o essencial: não impor fardos, mas anunciar a graça.
A segunda leitura, do Apocalipse, nos apresenta a Jerusalém celeste, resplandecente da glória de Deus. Uma cidade sem templo, porque o próprio Deus é o templo. Luz que não precisa do sol nem da lua, porque a glória do Senhor a ilumina. Esta visão nos ajuda a manter os olhos fixos na meta, lembrando-nos de que, apesar das tribulações da história, a Igreja caminha para a plenitude da comunhão com Deus.
Neste espírito pascal e de profunda comunhão, hoje elevo minha ação de graças ao Senhor por este primeiro mês como Bispo de Roma, Sucessor de Pedro. Um mês marcado pelo assombro do chamado, pela oração confiante e pelo desejo sincero de servir. Não há missão mais desafiadora — e, ao mesmo tempo, mais bela — do que conduzir a barca de Pedro com humildade e fidelidade ao Evangelho.
Quero também, com gratidão, recordar hoje os religiosos e religiosas do mundo inteiro. O seu testemunho silencioso, muitas vezes escondido, é luz para a Igreja. São sentinelas da esperança, mestres da oração, profetas da caridade. Com seus votos, mostram que Deus basta. Com suas vidas, anunciam que o Reino já está entre nós.
Religiosos e religiosas, o vosso "sim" é um dom precioso para a Igreja. Obrigado por cada gesto de dedicação, por cada renúncia escondida, por cada alma que ajudais a encontrar Cristo. Peço ao Senhor que vos fortaleça na vocação e que suscite novas vocações, generosas e fiéis, capazes de responder com amor ao chamado do Mestre.
Caríssimos, que esta Eucaristia nos fortaleça no caminho da fé, da escuta e da paz. Que, neste tempo pascal, a presença do Ressuscitado seja para todos nós consolo nas provações e luz nas decisões. E que Maria, Mãe da Igreja, nos ajude a guardar e meditar a Palavra, para que Deus encontre morada em nossos corações.
Assim seja. Amém.
