Testamento Espiritual | Papa Bonifácio III


TESTAMENTO ESPIRITUAL
DE SUA SANTIDADE
BONIFÁCIO III

Meus queridos irmãos e irmãs em Cristo,

Escrevo este meu testamento espiritual para ser publicado logo após a minha morte.

Vivo com alegria este pontificado, caminhando ao vosso lado. Sou profundamente grato a cada um de vós, pelo vosso serviço à Igreja e a mim, vosso humilde pastor.

O que me entristece, porém, é perceber que, por vezes, falta entre vós a unidade desejada por Cristo. Há divisões, ressentimentos e desconfianças que ferem o Corpo de Cristo. Dói-me ver que, tantas vezes, parecemos inclinados ao conflito e à discórdia. Hoje, mais do que nunca, é urgente a paz. É urgente sermos pacíficos e mansos, deixando de lado as nossas desavenças e desentendimentos. É tempo de unir a Igreja e de permanecermos firmes na comunhão fraterna, por mais que custe.

O meu tempo entre vós é breve. Não sei quando o Senhor me chamará à Sua presença. Peço-Lhe, porém, que me receba na Sua morada eterna, assim como eu O procurei servir com amor e fidelidade por meio do meu serviço à Igreja. Que o meu testemunho seja instrumento de reconciliação e de unidade entre vós.

Peço-vos, como último desejo: uni-vos e amai-vos. Não alimentem a desunião!

O Senhor vos chama à comunhão, para que, unidos, sirvais a Igreja, independentemente de quem seja o vosso Papa. Recordai: é o Senhor quem escolhe os Seus servos; é o Espírito Santo quem guia e ilumina a Igreja, e não as nossas vaidades ou sabedorias humanas.

Ofereço todas as minhas dores, sofrimentos e perseguições ao Senhor pela santificação da Igreja e pela unidade do clero. O que mais desejo é a vossa comunhão e o fim da tentação constante ao conflito.

Dirijo também um apelo aos irmãos separados: é urgente pôr termo às rivalidades e aos ódios e iniciar um caminho sincero de diálogo e fraternidade. Todos temos a mesma vocação: anunciar Cristo, que nos mandou amar-nos reciprocamente.

Enquanto escrevo estas linhas, recordo com dor os meus irmãos clérigos que, há poucos dias, abandonaram os seus ministérios: Everton Silva e Bruno Martini. Rezo para que o Espírito Santo toque nos seus corações e lhes conduza de volta à plena comunhão com a Igreja. Carrego comigo a culpa de não os ter escutado com maior atenção e de não ter mediado para que seus apelos fossem ouvidos.

Recordo também o meu irmão Artur Scherer, que se afastou da unidade e promoveu divisão. Que um dia reconheça o seu erro e retorne como o filho pródigo à casa do Pai, pois a divisão é sempre a semente do inimigo.

Lembro ainda o meu irmão queridíssimo, Philipe Scherer, que sofreu perseguições e desconfianças por membros de dentro do Clero. Encorajo-o a permanecer firme, obediente e unido à Igreja, composta por mártires e por aqueles que sofrem pela verdade.

Por testamento, deixo:
– Ao irmão Artur, o conjunto da minha casula, usada no dia da minha entronização, e o meu rosário, como convite à oração e à reconciliação com a Igreja.
– Ao irmão Philipe, o conjunto dos paramentos usados na minha posse em São João de Latrão e a minha cruz peitoral, como sinal de coragem para manter vivo o legado de Bonifácio.

Agradeço de coração a todos os que serviram a Igreja comigo, aos que caminharam ao meu lado e edificaram este governo pontifício com fidelidade e amor. Que o Senhor vos recompense com abundantes bênçãos e graças.

No meu escritório, encontra-se um envelope. Após a minha morte, desejo que o seu conteúdo seja destinado a instituições de caridade, com a finalidade de alimentar crianças e pessoas necessitadas, auxiliar hospitais — especialmente o de São Vicente — e contribuir para a construção de um novo orfanato e de um Hospital Pontifício na Cidade do Vaticano, que disponha de refeitório e abrigo para os sem-teto. As quantias ali contidas foram reunidas ao longo dos últimos meses com este propósito.

Quanto à minha última morada, desejo ser sepultado em simplicidade, num caixão pobre, na Arquibasílica de São João de Latrão, na nave Este (à direita, de quem está virado para a entrada) do altar principal. Sobre o meu túmulo, peço que se coloque a imagem de Nossa Senhora de Fátima, a quem tanto sou devoto, com a inscrição: BONIFATIUS PP. III – P. M.

Exorto-vos, por fim, a que permaneçais fiéis ao primeiro apelo deste testamento: uni-vos e deixai reinar entre vós a paz.

Confio toda a Igreja ao Senhor e peço-vos que não deixeis de rezar por este vosso pobre irmão, que parte, mas que viverá para sempre com Cristo ressuscitado e glorioso.

Amen.

Castel Gandolfo, 27 de agosto de 2025.
Acréscimo em Vaticano, 13 de outubro de 2025.
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