MENSAGEM DO SANTO PADRE
PIO IX
DA SOLENIDADE DO NATAL DO SENHOR 2025
BÊNÇÃO URBI ET ORBI
25 de Dezembro de 2025 | 22H15
Praça de São Pedro
Buonasera, miei fratelli e mie sorelle. Santo e Felice Natale a tutti!
Buenas noches, mis hermanos y mis hermanas. ¡Santo y Feliz Navidad a todos!
Boa noite, meus irmãos e minhas irmãs. Santo e Feliz Natal a todos!
Good evening, my brothers and my sisters. Holy and Happy Christmas to everyone!
Nesta soleníssima noite de Natal, desta Praça de São Pedro que se abre como um abraço ao mundo inteiro, elevo a minha voz para proclamar a alegria que nenhum sofrimento pode sufocar e a esperança que nenhuma noite consegue apagar: Cristo nasceu para nós. O Filho eterno de Deus entrou na história humana; o Príncipe da Paz visitou a humanidade ferida; a Luz verdadeira resplandeceu nas trevas.
Hoje, da Cidade Eterna, a bênção Urbi et Orbi alcança cada povo, cada nação, cada família, cada coração. Ela atravessa fronteiras, supera muros, rompe cercas de ódio e de medo, porque o Natal não pertence a um lugar, mas a toda a humanidade. Onde há um homem, uma mulher, uma criança que sofre, ali o Menino de Belém deseja nascer.
O Natal revela-nos um paradoxo divino que comove os céus e a terra: o Onipotente faz-Se frágil; o Senhor do universo deita-Se numa manjedoura; o Príncipe da Paz entra no mundo sem armas, sem exércitos, sem violência. Ele vem desarmado, para desarmar os corações. Ele vem pobre, para enriquecer a humanidade com o amor. Ele vem pequeno, para tornar grandes aqueles que O acolhem.
Cristo é a nossa paz. Não uma paz frágil, sustentada por equilíbrios de força; não uma paz construída sobre o medo; não uma paz que ignora a justiça. Ele é a paz verdadeira, nascida da reconciliação entre Deus e o homem, entre o homem e o seu irmão, entre os povos e as nações. Uma paz que brota do coração traspassado do Filho, oferecido por amor.
Nesta noite santa, o meu coração de Pai eleva um clamor que se une ao grito silencioso de tantos inocentes: cale-se o estrondo das armas, silenciem-se os ódios, cessem as vinganças. Que se interrompa a espiral da violência que ensanguenta tantas regiões do mundo. Que os povos dilacerados pela guerra possam reencontrar o caminho do diálogo. Que as lágrimas das mães, o choro das crianças, o desespero dos deslocados e dos refugiados não caiam no esquecimento da humanidade.
A guerra é sempre uma derrota. O ódio nunca constrói. A vingança apenas multiplica feridas. O Natal nos recorda que não há conflito que não possa ser tocado pela graça, não há situação tão endurecida que não possa ser transformada pela misericórdia, não há noite tão escura que não possa ser visitada pela luz de Cristo.
Hoje, da manjedoura de Belém, eleva-se uma palavra clara e exigente dirigida aos responsáveis das nações: escolhei o caminho da paz. Tende a coragem do diálogo. Tende a audácia da reconciliação. Tende a humildade de colocar o bem dos povos acima de interesses egoístas. A verdadeira grandeza não está em dominar, mas em servir; não em vencer o outro, mas em salvaguardar a vida.
Mas o Natal interpela também cada um de nós. As grandes guerras nascem, muitas vezes, das pequenas guerras do cotidiano. Quantos lares se tornam campos de batalha por palavras duras, por silêncios rancorosos, por feridas nunca curadas! Quantas amizades se rompem por orgulho! Quantas comunidades se dividem por julgamentos impiedosos!
Hoje, o Menino Jesus pede-nos um gesto concreto: depor as armas do coração. As armas do ressentimento, da inveja, da agressividade, da indiferença. Que se cale o ódio em nossas palavras. Que se desarme a raiva em nossos pensamentos. Que cesse a vingança em nossas decisões. O Natal será verdadeiro quando o perdão encontrar espaço, quando a reconciliação for escolhida, quando a unidade for preferida à divisão.
Cristo nasce para habitar em nós. Que os nossos corações se tornem manjedouras acolhedoras, não endurecidas pelo rancor, mas aquecidas pela caridade. Ele não procura corações perfeitos, mas disponíveis; não exige méritos, mas abertura; não impõe condições, mas pede acolhimento.
A paz que Cristo oferece é exigente, porque é verdadeira. É uma paz que não se impõe pela força, mas se propõe pelo amor; uma paz desarmada e desarmante, capaz de desmontar as lógicas do ódio e de interromper os ciclos da violência. Ela começa no interior do homem, mas não permanece fechada nele: torna-se compromisso, gesto, responsabilidade. Uma paz desarmada e desarmante!
Ser cristão é tornar-se artesão da paz. Onde há discórdia, levar reconciliação. Onde há mentira, testemunhar a verdade com caridade. Onde há desespero, semear esperança. Onde há indiferença, reacender a compaixão. Assim, o Natal não será apenas celebrado, mas vivido.
Nesta hora solene, dirijo um pensamento especial às crianças privadas da infância pela guerra e pela pobreza; aos idosos esquecidos; aos doentes que passam este dia na solidão; aos que choram um ente querido; aos que perderam a casa, a pátria, a segurança. O Filho de Deus nasceu pobre e vulnerável para estar convosco, para vos dizer que não estais sozinhos, que sois preciosos aos olhos de Deus.
Que o Natal reacenda a esperança nos corações cansados. Que devolva coragem aos que vacilam. Que faça florescer a paz onde tudo parece estéril. Que as nações redescubram a fraternidade. Que a humanidade se reconheça como uma única família.
Amados irmãos e irmãs, do presépio de Belém ao coração do mundo, ressoe hoje um único cântico: Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados.
Com esta fé, com esta esperança, com este ardente desejo de paz, concedo a todos vós, a Roma e ao mundo inteiro, a minha bênção.
+ Pius, PP. IX
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