ORIENTAÇÕES LITÚRGICAS PARA O TEMPO DA QUARESMA
O mistério litúrgico da Quaresma
A Quaresma é o tempo litúrgico de preparação para a Páscoa, o mistério central da fé cristã. É um período em que a Igreja convida os fiéis à conversão, à penitência e à renovação espiritual. A liturgia quaresmal conduz-nos a uma experiência profunda desse tempo de conversão, levando-nos a uma participação mais consciente e frutuosa no Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo.
A liturgia da Quaresma é marcada por sinais de sobriedade e penitência. A Palavra de Deus proclama fortemente a necessidade de mudança de vida, destacando a misericórdia divina e o chamado ao arrependimento, conduzindo-nos a um itinerário espiritual que nos prepara para o grande mistério Pascal por meio dos Evangelhos: a tentação de Cristo no deserto, a Transfiguração, o encontro com a Samaritana, a cura do cego de nascença e a ressurreição de Lázaro. Além disso, os ritos próprios da Quaresma, como a imposição das Cinzas e os escrutínios dos catecúmenos, ajudam a aprofundar a vivência desse tempo.
A Liturgia quaresmal, portanto, é um convite a um verdadeiro itinerário de fé, onde todos são chamados a se despir do homem velho e revestir-se da graça de Deus, para que, ao chagarmos à Páscoa, possamos celebrar com um coração renovado a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte.
Celebrar a Quaresma é preparar-se bem para ressurgir com Cristo
Considerando, então, o início da Quaresma, o Dicastério para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos recorda a importância deste tempo litúrgico e propõe as normas e orientações litúrgicas, como segue:
O PERÍODO DA QUARESMA
1. O Tempo Quaresmal inicia-se com a Missa de Cinzas, na quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026, prolongando-se até à tarde da Quinta-feira Santa, em 2 de abril de 2026, totalizando 44 dias.
2. Este período litúrgico encerra-se na tarde de 2 de abril, com a celebração da Missa “In Coena Domini” (Missa Vespertina da Ceia do Senhor), que marca oficialmente o início do Tríduo Pascal: Quinta-feira Santa, Sexta-feira Santa e Sábado Santo.
3. Na manhã da Quinta-feira Santa, os ordinários locais devem reunir-se com o seu clero para a celebração da Missa Crismal, ocasião em que se renova as promessas sacerdotais. Durante esta celebração, são consagrados os óleos do Crisma, dos Enfermos e dos Catecúmenos, que serão utilizados nos sacramentos ao longo do ano litúrgico.
NA LITURGIA
4. Durante o período da Quaresma, utiliza-se os paramentos de cor roxa, simbolizando penitência. No entanto, há exceções significativas: na Solenidade de São José, celebrada em 19 de março, e na Anunciação do Senhor, em 25 de março, os paramentos adotam as cores branca ou bege, representando pureza e alegria. Outra exceção ocorre no Domingo Laetare, que neste ano cai em 15 de março, ocasião em que se utilizam paramentos de cor rosa, sinalizando um momento de alegria no meio do tempo quaresmal.
NA LITURGIA
4. Durante o período da Quaresma, utiliza-se os paramentos de cor roxa, simbolizando penitência. No entanto, há exceções significativas: na Solenidade de São José, celebrada em 19 de março, e na Anunciação do Senhor, em 25 de março, os paramentos adotam as cores branca ou bege, representando pureza e alegria. Outra exceção ocorre no Domingo Laetare, que neste ano cai em 15 de março, ocasião em que se utilizam paramentos de cor rosa, sinalizando um momento de alegria no meio do tempo quaresmal.
Hino de Louvor
5. Durante o tempo da Quaresma, não se entoa o Hino de Louvor (Glória).
Aclamação ao Evangelho
6. A partir da Missa das Cinzas, suprime-se integralmente a aclamação do “Aleluia”, substituindo-a pelos versículos previstos no Lecionário.
Composição da Liturgia
7. Os prefácios devem ser escolhidos conforme a natureza da liturgia celebrada em cada dia. Nos dias de jejum, recomenda-se o uso dos Prefácios III e IV.
8. Quanto às Orações Eucarísticas, a escolha fica a critério do celebrante. Com os Prefácios Quaresmais, devem ser utilizadas as Orações Eucarísticas I, II e III. As Orações Eucarísticas IV e V não podem ser empregadas com esses prefácios. Sugere-se o uso das Orações Eucarísticas “sobre a reconciliação” I e II, por serem as mais indicadas para o período penitencial.
Canto
9. No que se refere ao canto, deve-se priorizar cânticos que reflitam a penitência e o espírito quaresmal. O silêncio, especialmente nas Missas feriais, é recomendado, substituindo-se os cânticos de entrada e de comunhão pelas antífonas próprias do dia. A utilização de instrumentos de cordas deve ser reduzida e os de percussão suprimidos, conferindo destaque ao órgão.
Quarta-feira de Cinzas
10. No dia 18 de fevereiro, celebra-se a Quarta-feira de Cinzas, marco inicial do período da Quaresma. Nesta data, os fiéis recebem sobre a cabeça as cinzas previamente abençoadas exclusivamente pelo sacerdote, podendo ser distribuídas tanto durante a Santa Missa quanto fora dela, na Celebração da Palavra.
11. A imposição das cinzas ocorre após a homilia e antes da Oração dos Fiéis, quando houver. Nas missas em que se realiza este rito, omite-se o Ato Penitencial, pois a própria imposição das cinzas cumpre essa função litúrgica.
12. Nesta ocasião, utiliza-se a mitra simples, totalmente branca, excetuando-se o Santo Padre, que a usa com detalhes dourados. Nos demais dias, mantém-se a cor habitual da mitra, exceto em procissões penitenciais.
Solenidades
13. Durante a Quaresma, destacam-se duas solenidades: a de São José, Esposo da Virgem Maria, no dia 19 de março (quinta-feira), e a Anunciação do Senhor, no dia 25 de março (quarta-feira). Nestes dias, não se entoa o Aleluia, mas sim o Hino de Louvor.
14. Para as Solenidades, recomenda-se a utilização de ornamentação floral mais sóbria na igreja. Esses arranjos devem permanecer expostos até o final das solenidades mencionadas, sendo retirados posteriormente.
Dedicações e Ordenações
15. As dedicações das igrejas são celebradas conforme a tradição, com paramentos festivos, leituras e orações próprias para o rito, sendo suprimido o aleluia. Não é permitido realizar dedicações de templos na Quarta-feira de Cinzas ou durante os dias da Semana Santa.
16. As ordenações, quando coincidem com alguma Festa, Solenidade ou Domingo, seguem as leituras, a cor dos paramentos e as orações próprias do dia.
17. Se a ordenação for celebrada em um Domingo, devem-se utilizar paramentos roxos e não se entoará o Hino de Louvor. Contudo, essas celebrações não podem ocorrer na Quarta-feira de Cinzas nem nos dias da Semana Santa. Nos dias feriais, a ordenação pode ser realizada normalmente, incluindo o Hino de Louvor.
Calendário Litúrgico
18. As memórias, neste período, tornam-se todas facultativas. Utiliza-se apenas a oração coleta prevista para cada uma, celebrando-se com os paramentos roxos do dia.
19. Quanto às Missas por diversas necessidades e votivas, estas podem ser celebradas, exceto na Quarta-feira de Cinzas, aos domingos e durante a Semana Santa.
20. Aos sábados, podem-se celebrar as memórias da Virgem Santa Maria previstas para o Tempo da Quaresma, sendo elas: Santa Maria, discípula do Senhor; Virgem Maria junto à cruz do Senhor I; Virgem Maria junto à cruz do Senhor II; Recomendação da Bem-aventurada Virgem Maria; e Virgem Maria, Mãe da Reconciliação.
Tríduo Pascal
21. Para a Missa da Quinta-feira Santa, é recomendável que, antes do início, o sacrário esteja completamente vazio, sem qualquer reserva de hóstias consagradas.
22. Deve-se preparar uma capela em um dos altares fora do presbitério para onde será levada a Sagrada Reserva na noite de Quinta-feira Santa, após a Missa, permanecendo ali durante toda a Sexta-feira Santa, bem como na manhã e tarde do Sábado Santo. Na Missa de Quinta-feira Santa, procure-se consagrar o número necessário de partículas para a Celebração da Paixão do Senhor, na Sexta-feira Santa.
23. Na Missa Vespertina da Ceia do Senhor, os sinos repicarão pela última vez durante o Hino de Louvor, devendo permanecer silenciados até a Vigília Pascal, na noite do Sábado Santo, quando voltarão a tocar. Ao término da Missa da Ceia do Senhor, a Sagrada Reserva é transladada para o tabernáculo ou altar da reposição, preferencialmente em um local de pouco movimento. Nas primeiras horas após a Missa, até a meia-noite, é recomendado manter-se em adoração; após a meia-noite da Sexta-feira Santa, a adoração perde seu caráter litúrgico. Todos os altares devem ser desnudados.
24. Na Sexta-feira Santa, os que possuem a ordem episcopal não devem fazer uso do anel e da cruz peitoral. Durante a Celebração da Paixão, os bispos que têm o privilégio de usar a dalmática por baixo da casula não deverão utilizá-la. A mitra deve ser inteiramente branca, sem ornamentos (exceto a do Papa). A Celebração da Paixão deve ocorrer entre as 15h e as 18h, reservando-se a noite para a Procissão do Sepultamento do Senhor, onde houver tal costume. Neste dia, o som dos sinos é substituído pelo toque das matracas.
Ornamentações
25. Durante este período litúrgico, as igrejas devem permanecer totalmente desprovidas de qualquer ornamentação floral ou vegetal. Trata-se de um tempo de deserto espiritual, no qual nos preparamos para a Paixão do Senhor.
26. É permitido, no entanto, montar o chamado “calvário” nas igrejas. Junto ao altar, pode ser colocada uma cruz revestida com tecido roxo, acompanhada de pedras. No cenário do calvário, podem-se incluir cactos e palmeiras.
27. Nas Solenidades, as igrejas podem receber ornamentações, porém com caráter sóbrio e sombrio.
28. Na Quinta-feira Santa, apenas o altar principal poderá ostentar um arranjo floral mais abundante; contudo, o local destinado à reposição do Santíssimo Sacramento deve manter-se ornamentado de forma condigna para acolher a presença da sagrada reserva.
Velatio
29. O velatio consiste no ato de cobrir as imagens, quadros e cruzes expostos na Igreja. A prática deve ser realizada no sábado da IV semana da Quaresma, de modo que as imagens já estejam veladas para as Missas do V Domingo da Quaresma (antigo I Domingo da Paixão).
30. As imagens permanecem cobertas até o cântico do Glória, na Vigília Pascal; as cruzes, por sua vez, permanecem veladas até o momento da revelação da cruz, durante a Celebração da Paixão do Senhor.
DO COSTUME POPULAR
Das estações quaresmais
DO COSTUME POPULAR
Das estações quaresmais
31. A realização das estações quaresmais é uma prática de origem antiquíssima. Essas celebrações ocorrem nas principais localidades e povoados, reunindo o povo em uma capela ou igreja menor, de onde partem em procissão penitencial, recitando ladainhas, até a Igreja Matriz ou Catedral, onde se celebra a Missa ou a Celebração da Palavra.
Da Via Sacra
32. Às sextas-feiras da Quaresma, realiza-se a meditação da Via Crucis, que representa o caminho da Paixão do Senhor. Recomenda-se que seja feita por volta das 15 horas, a hora da morte de Cristo.
Da procissão dos passos, do encontro e do depósito
33. Nas comunidades onde é tradição, promove-se a Procissão dos Passos do Senhor e do Encontro, antecedida, onde costume, pelo depósito das imagens do Senhor Jesus e de Nossa Senhora das Dores (ou da Soledade). Essa procissão é realizada nos domingos da Quaresma, especialmente no IV, V e no Domingo de Ramos.
34. O depósito consiste na saída das imagens do Senhor dos Passos e de Nossa Senhora de suas respectivas igrejas, sendo levadas a outras capelas para o Encontro. Essa prática ocorre sempre na véspera da Procissão do Encontro.
Das práticas populares
35. Deve-se buscar a centralidade nas catequeses quaresmais, incentivando a recitação do terço, a realização de confissões, procissões e caminhadas penitenciais durante este tempo litúrgico.
Conclusão
Seguindo as orientações litúrgicas para este tempo, somos chamados a viver a Quaresma com espírito de penitência e conversão, preparando-nos dignamente para a celebração da Páscoa do Senhor. A liturgia nos conduz por esse caminho de espera e renovação, para que, purificados, possamos participar plenamente do mistério da Ressurreição. Que estas normas sejam fielmente observadas e cumpridas.
Dado em Roma, no dia 14 de fevereiro do ano do Senhor de 2026.
PREF. DO DICASTÉRIO
PARA O CULTO DIVINO E A DISCIPLINA
DOS SACRAMENTOS
Seções:
Dicastério para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos
Diretório Litúrgico
Quaresma
Tempo da Quaresma

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