Capela Sistina do Palácio Apostólico, Vaticano
Em 09 de março de 2026, às 12h00.
Saúdo os eminentíssimos senhores Cardeais, os excelentíssimos senhores Bispos, os senhores Presbíteros; amados e estimados irmãos e irmãs em Cristo,
Hoje, diante desta assembleia que representa a universalidade da Igreja, o meu coração está cheio de gratidão, de tremor e de esperança. O Senhor chamou‑me, pela voz do Colégio Cardinalício, a assumir o ministério de Pedro, e eu acolho este chamamento com humildade e confiança. Não porque seja digno, mas porque Deus, na sua misericórdia, escolhe sempre vasos frágeis para manifestar a força do seu amor.
E a escolha do nome António? Quando, no silêncio da Capela Sistina, me foi pedido que escolhesse um nome, o meu pensamento correu imediatamente para Santo António, o santo da minha devoção desde a juventude. António, o homem do Evangelho, o pregador ardente, o amigo dos pobres, o buscador incansável da verdade.
Escolhi este nome porque desejo que o seu carisma inspire o meu ministério:
A sua paixão pela Palavra, que anunciava com clareza e ternura;
A sua proximidade aos mais frágeis, que reconhecia como tesouro da Igreja;
A sua capacidade de reconciliar, de unir, de construir pontes entre povos e corações;
A sua vida de simplicidade, que apontava sempre para Cristo e nunca para si.
Santo António nasceu em Lisboa, viveu em Coimbra, percorreu o mundo, e morreu em Pádua. Ele é um santo de fronteiras abertas, de universalidade, de encontro. Que ele me ajude a ser também um Papa que não fecha portas, mas que as abre; que não ergue muros, mas que constrói pontes; que não teme a diversidade, mas a acolhe como dom do Espírito.
A primeira leitura apresenta‑nos a Jerusalém celeste, a cidade construída sobre doze fundamentos, cada um com o nome de um apóstolo. É uma imagem poderosa da Igreja: uma casa edificada sobre testemunhas vivas, sobre homens que deram a vida por Cristo.
Hoje, ao assumir o ministério petrino, sinto o peso e a beleza desta responsabilidade: ser um dos guardiões desta cidade santa, não como dono, mas como servidor; não como mestre, mas como discípulo; não como príncipe, mas como irmão.
A Igreja não é obra nossa. É obra de Deus. E Deus chama‑nos a cuidar dela com amor, com paciência e com esperança.
A segunda leitura recorda‑nos que todos somos pedras vivas de um edifício espiritual. O Papa não é a pedra única; é apenas uma pedra entre muitas, chamada a confirmar as outras na fé.
O ministério petrino só faz sentido em comunhão:
com os bispos, sucessores dos apóstolos;
com os presbíteros e diáconos, servidores do povo;
com os consagrados, testemunhas da radicalidade evangélica;
com os leigos, que levam Cristo ao mundo do trabalho, da cultura, da política, da ciência, da família.
A Igreja é um povo sacerdotal, escolhido não para se fechar, mas para anunciar as maravilhas de Deus. E este anúncio só será credível se for feito com alegria, com verdade e com vida.
No Evangelho, Jesus pergunta: “E vós, quem dizeis que Eu sou?” Esta é a pergunta que atravessa os séculos e chega hoje até nós. Pedro respondeu com fé: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo.” E Jesus confiou‑lhe as chaves do Reino.
Hoje, esta palavra ressoa de modo novo no meu coração. Ser sucessor de Pedro é:
confirmar os irmãos na fé, guardar a unidade, abrir caminhos de reconciliação; ser ponte — pontífice — entre Deus e a humanidade, e entre os próprios homens.
O Papa não é dono da Igreja; é o seu primeiro servidor. Não é o centro; é aquele que aponta para Cristo, o único centro. Não é a luz; é aquele que procura refletir a luz do Ressuscitado.
Vivemos tempos desafiantes, mas também tempos de graça. O Espírito Santo continua a soprar, a surpreender, a renovar. A Igreja é chamada a caminhar sinodalmente, escutando, discernindo, caminhando juntos.
Quero ser um Papa que escuta. Quero ser um Papa que caminha com o povo. Quero ser um Papa que sonha com uma Igreja mais simples, mais pobre, mais missionária, mais próxima.
O mundo precisa de esperança. E a esperança não nasce de estratégias, mas de corações convertidos. Não nasce de estruturas, mas de encontros. Não nasce de discursos, mas de testemunhos.
Peço‑vos que rezeis por mim. Que rezeis para que eu seja um pastor segundo o coração de Cristo. Que Santo António me acompanhe com a sua intercessão e que Maria, Mãe da Igreja, me envolva com o seu manto de ternura.
E juntos, como povo de Deus, digamos ao mundo: A Igreja está viva. Cristo está vivo. E onde Ele está, há sempre futuro.
Abri as portas ao Espírito. Caminhemos juntos.
E que a Esperança seja a nossa língua comum.
