Aos Bispos, Presbíteros e Diáconos,
Aos consagrados, religiosos e leigos,
saudação, paz e bênção apostólica.
No dia em que a Igreja celebra com singular solenidade o Sacratíssimo Coração de Jesus, fonte inexaurível do amor redentor e escola perene da santidade sacerdotal, dirijo-me a vós, amados filhos e cooperadores na vinha do Senhor, para renovar o chamamento à fidelidade, à unidade e ao ardor missionário que brotam do próprio Coração do Bom Pastor.
Ao contemplarmos o lado aberto de Cristo na Cruz, de onde jorraram sangue e água para a vida do mundo, reconhecemos a origem e a identidade mais profunda do sacerdócio ministerial. O sacerdote não é um simples administrador das coisas sagradas, nem um funcionário qualquer; ele é o homem configurado sacramentalmente a Cristo Cabeça, Mestre, Pastor e Esposo da Igreja. Toda a sua existência deve tornar visível, no meio do povo de Deus, a presença daquele que veio não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.
O Sagrado Coração de Jesus manifesta-nos a plenitude do sacerdócio eterno. Nele contemplamos a perfeita obediência ao Pai, a compaixão pelos pecadores, a solicitude pelos pobres, a fortaleza diante da perseguição e a total entrega pela salvação das almas. O sacerdote encontra nesse Coração divino o modelo vivo da sua vocação e a medida da sua caridade pastoral.
Num tempo marcado por profundas transformações culturais, pela secularização crescente e pela perda do sentido do transcendente, todos sois chamados a ser testemunhas corajosas da verdade imutável do Evangelho. O mundo necessita de sacerdotes que rezem, que ensinem, que santifiquem e que governem segundo o coração de Nosso Senhor Jesus Cristo. Necessita de homens cuja vida seja transparente à graça, cuja palavra seja fiel à doutrina apostólica e cujo ministério seja expressão de uma autêntica paternidade espiritual.
Não vos deixeis seduzir pelas ideologias passageiras que procuram adaptar a Igreja ao espírito do mundo. A missão da Igreja não consiste em conformar-se às modas de cada época, mas, em conduzir cada época ao encontro de Cristo. A verdade não envelhece; a santidade não perde a sua força; a Cruz continua a ser o sinal da vitória de Deus sobre o pecado e a morte.
Por isso, exorto-vos a conservar integralmente o depósito da fé. Sede mestres seguros da doutrina católica, anunciando com clareza e caridade aquilo que a Igreja sempre ensinou. O povo tem direito a receber o Evangelho em toda a sua integridade, sem ambiguidades e sem reduções. A caridade jamais pode ser separada da verdade, pois foi o próprio Senhor quem declarou ser Ele o Caminho, a Verdade e a Vida.
De modo particular, convido-vos a renovar o amor pela Liturgia. A liturgia é a obra de Cristo e da sua Igreja; nela o sacerdote age in persona Christi. Celebrar os santos mistérios com reverência, dignidade e fidelidade às normas da Igreja é um ato de amor para com Deus e para com os fiéis. Onde a Eucaristia é celebrada com fé, amor e devoção, florescem as vocações, fortalecem-se as famílias e renova-se a vida cristã.
O Coração de Jesus convida-vos igualmente à vida interior. Nenhuma atividade pastoral pode substituir a intimidade com Deus. O sacerdote que abandona a oração corre o risco de conservar apenas a aparência do ministério, perdendo gradualmente o seu vigor sobrenatural. A adoração eucarística, a celebração quotidiana da Santa Missa, a Liturgia das Horas, a meditação da Palavra de Deus e a devoção à Santíssima Virgem Maria devem constituir os pilares da vida sacerdotal.
Sede missionários segundo o modelo do Coração de Cristo. Ide ao encontro daqueles que se afastaram da fé, procurai os que vivem na escuridão, acolhei os que sofrem e anunciai sem temor a esperança cristã. A missão não nasce de estratégias humanas, mas da verdadeira caridade que inflama o coração daquele que se sabe amado por Deus.
Ao mesmo tempo, desejo insistir na importância da comunhão eclesial. O sacerdote nunca é um homem isolado. A sua vocação desenvolve-se no seio do presbitério, em união com o seu Bispo e em comunhão com toda a Igreja. O individualismo enfraquece o testemunho cristão; a fraternidade sacerdotal fortalece a missão. Rezo para que cada comunidade presbiteral seja sinal daquela unidade pela qual Cristo rezou na véspera da sua Paixão.
A Igreja será verdadeiramente santa na medida em que os seus ministros procurarem a santidade. A renovação da igreja não começa pelas estruturas, mas pelos corações. A história demonstra que os grandes períodos de florescimento espiritual nasceram sempre da fidelidade de sacerdotes apaixonados por Cristo e inteiramente dedicados à salvação das almas.
Volvamos, portanto, o olhar para o Coração de Jesus. Nele aprendemos a humildade que vence o orgulho, a mansidão que supera a violência, a pureza que resiste à corrupção e a caridade que transforma o mundo. Quanto mais o sacerdote se conforma a esse Coração divino, tanto mais se torna instrumento eficaz da graça e sinal vivo da presença de Deus entre os homens.
Confiando cada um de vós à proteção materna da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe dos Sacerdotes, e invocando a intercessão dos santos Apóstolos Pedro e Paulo, concedo-vos de coração a minha Bênção Apostólica, para que permaneçais firmes na fé, alegres na esperança e perseverantes na caridade. Rogo-vos ainda que rezem pelo meu Ministério Petrino que ontem o Espírito Santo, por meio dos Cardeais, designou-me à Cátedra de Pedro.
Dado em Roma, junto a São Pedro, no dia 11 de junho do ano do Senhor de dois mil e vinte e seis, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus e primeiro do meu Pontificado.
+ PAULUS PP. VII
Servus Servorum Dei
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