Homilia | Missa para o Início do Ministério Petrino do Papa Paulo VII

 

HOMILIA
DO PAPA 
PAULO VII
MISSA PARA O INÍCIO DO MINISTÉRIO PETRINO

08 de julho de 2026
Basílica de São Pedro, Cidade do Vaticano


Queridos irmãos e irmãs em Cristo,

«Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo.» (Mt 16,16)

Estas palavras de Simão Pedro ecoam hoje nesta assembleia com uma força singular. São palavras que nasceram da graça, não da inteligência humana; da ação do Espírito Santo, não da lógica dos homens. E é precisamente sobre esta fé que Cristo continua, ainda hoje, a construir a sua Igreja.

Nesta celebração profundamente comovente, recebo o pálio pastoral e o anel do pescador. Não os recebo como sinais de poder, mas como sinais de serviço; não como uma distinção pessoal, mas como um apelo ainda mais exigente a amar Cristo e a confirmar os meus irmãos na fé.

O pálio recorda-me o Bom Pastor, que coloca aos ombros a ovelha perdida e não descansa enquanto não a conduz novamente ao redil. O anel do pescador lembra-me Pedro, chamado das margens do lago para lançar as redes ao mar da história. Não confiando nas próprias forças, mas apenas na Palavra daquele que disse: «Não tenhas medo.»

Hoje, porém, não podemos ignorar a realidade que nos envolve.

Vivemos um dos períodos mais exigentes da história recente da Igreja. Muitos irmãos afastaram-se. Outros sentem-se desiludidos. Escândalos, divisões, guerras, perseguições, secularização, indiferença religiosa e tantas feridas humanas obscurecem, por vezes, o rosto luminoso da Esposa de Cristo.

Há quem olhe para a Igreja apenas pelas suas fragilidades. Há quem anuncie repetidamente o seu declínio. Há quem pense que o Evangelho perdeu a sua força.

Mas a Palavra de Deus deste domingo convida-nos precisamente ao contrário.

Na primeira leitura, o Senhor declara por meio do profeta Ezequiel: «Eu mesmo cuidarei das minhas ovelhas.»

É Deus quem fala. É Deus quem procura. É Deus quem cura.É Deus quem fortalece.

Antes de qualquer programa pastoral, antes de qualquer reforma, antes de qualquer estratégia humana, existe esta certeza: a Igreja pertence a Cristo.

Ela não nasceu da vontade dos homens. Ela não vive da habilidade dos seus pastores. Ela não permanece de pé por causa das suas estruturas.

A Igreja vive porque o Senhor continua vivo.

E porque o Espírito Santo nunca abandona aquilo que o próprio Cristo adquiriu com o seu Sangue. É verdade: estamos a atravessar uma noite. Mas nunca esqueçamos que Deus realiza as suas maiores obras precisamente durante a noite:

Foi na noite que Israel atravessou o Mar Vermelho; Foi na noite que nasceu o Salvador; Foi na madrugada, quando tudo parecia perdido, que Cristo ressuscitou. 

Também esta noite da Igreja não é sinal de abandono.

É uma hora de purificação. É uma hora de discernimento. É uma hora em que somos chamados a escolher novamente Cristo, não por hábito, mas por convicção.

Na segunda leitura, São Pedro dirige-se aos pastores com palavras que hoje ressoam profundamente no meu coração: «Apascentai o rebanho de Deus que vos foi confiado... não como dominadores, mas tornando-vos modelos do rebanho.» Que exortação extraordinária, meus irmãos!

O ministério petrino nunca poderá ser um trono. Terá sempre de ser um joelho dobrado diante de Deus e um coração inclinado diante da humanidade.

O sucessor de Pedro não é chamado a dominar a Igreja. É chamado a servi-la. É chamado a guardar a unidade. É chamado a confirmar os irmãos. É chamado a recordar incessantemente que Cristo continua a ser o único Senhor da Igreja.

Por isso, neste momento, não peço que caminheis atrás de mim. Peço-vos que caminhemos juntos atrás de Cristo.

Porque só Ele é o Caminho. Só Ele é a Verdade. Só Ele é a Vida.

Ninguém reedifica a Igreja sozinho!

O Papa não o faz sozinho; Os bispos não o fazem sozinhos; Os sacerdotes não o fazem sozinhos. Também os leigos não o fazem isoladamente.

Toda a Igreja é chamada a reconstruir, pedra sobre pedra, aquilo que o pecado tantas vezes tentou destruir. 

Precisamos uns dos outros.

Precisamos da oração silenciosa dos contemplativos; Da dedicação dos missionários; Da generosidade das famílias; Da coragem dos jovens; Da sabedoria dos idosos; Do testemunho dos consagrados. Da fidelidade discreta de tantos cristãos que, longe dos holofotes, mantêm viva a chama da fé.

Ninguém é pequeno demais para colaborar na obra de Deus. Ninguém é inútil na Igreja.

Todos fomos batizados no mesmo Espírito. Todos recebemos dons diferentes para o mesmo Corpo. Talvez muitos de nós sintamos hoje o peso do cansaço:

O peso das críticas. O peso das incompreensões. O peso das derrotas.

Mas não somos chamados ao desânimo. Somos chamados à esperança.

A esperança cristã não é um otimismo ingénuo. É a certeza de que Cristo já venceu.

Mesmo quando tudo parece vacilar... Mesmo quando o mundo parece esquecer Deus... Mesmo quando as redes parecem voltar vazias... O Espírito Santo continua a conduzir a barca de Pedro.

Sempre foi assim, sempre será assim. Foi Ele quem sustentou os Apóstolos perseguidos; Foi Ele quem inspirou os santos nas épocas mais difíceis; Foi Ele quem renovou a Igreja em cada século: E será Ele quem continuará a fazê-lo hoje.

Talvez Deus não nos peça resultados imediatos. Pede-nos fidelidade. Pede-nos perseverança. Pede-nos que não deixemos de lançar as redes. Pede-nos que nunca deixemos de amar.

No Evangelho ouvimos a promessa de Cristo: «As portas do inferno não prevalecerão contra ela.»

Esta não é apenas uma bela frase: É uma promessa divina.

Não significa que a Igreja não sofrerá; muito menos significa que não conhecerá crises. Significa que nenhuma crise será maior do que a fidelidade de Deus.

O futuro da Igreja não está nas mãos do medo: está nas mãos do Ressuscitado.

Ao receber hoje o anel do pescador, quero recordar que esse anel representa as mãos calejadas de um homem simples da Galileia, que caiu muitas vezes, que chorou amargamente a sua negação, mas que nunca deixou de confiar na misericórdia do Senhor.

Também nós caímos... Também nós erramos... Também nós necessitamos diariamente da misericórdia... Mas... o Senhor nunca deixa de nos levantar.

Queridos irmãos e irmãs, Não deixemos que nos roubem a esperança. Não deixemos que o pessimismo tenha a última palavra. Não deixemos que as divisões enfraqueçam a nossa comunhão.

Este é o tempo de reedificar! Este é o tempo de reconciliar! Este é o tempo de evangelizar!

Este é o tempo de voltar ao essencial: Jesus Cristo.

Peço-vos uma única coisa: Rezai por mim!

Rezai para que nunca procure a minha vontade, mas apenas a vontade de Deus. Rezai para que nunca tenha medo da verdade. Rezai para que nunca me falte a humildade de aprender.

Rezai para que, quando chegar o dia de prestar contas diante do Supremo Pastor, possa simplesmente ouvir aquelas palavras que todo o discípulo deseja escutar: «Servo bom e fiel.»

Confiemos este novo caminho à intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja. Que Ela nos ensine a permanecer firmes junto da Cruz e alegres na esperança da Ressurreição.

E que o Espírito Santo continue a renovar a face da terra, renovando antes de tudo os nossos corações.

Amém. Assim seja.

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