Tema - "Para que todos Sejam Um" ( Jo 10, 16)
Lema - Eles ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só Pastor." (Jo 17, 21)
Juntamente com todos os discípulos de Cristo, a Igreja Católica fundada, sobre o desígnio de Deus, o seu empenho ecuménico de reunir a todos na unidade. De facto, « a Igreja não é uma realidade voltada sobre si mesma, mas aberta permanentemente à dinâmica missionária e ecuménica, porque enviada ao mundo para anunciar e testemunhar, atualizar e expandir o mistério de comunhão que a constitui: a fim de reunir a todos e tudo em Cristo; ser para todos "sacramento inseparável de unidade" ».
Já no Antigo Testamento, referindo-se à situação do povo de Deus
de então, o profeta Ezequiel, recorrendo ao símbolo simples de duas varas,
primeiro separadas e depois juntas uma à outra, exprimia a vontade divina de «
reunir de toda a parte » os membros do seu povo dividido: « Serei o seu Deus e
eles serão o meu povo. Então as nações reconhecerão que Eu sou o Senhor que
santifica Israel » (cf. 37, 16-28). Por sua vez, o Evangelho de S. João,
pensando na situação do povo de Deus daquele tempo, vê na morte de Jesus a
razão da unidade dos filhos de Deus: « Devia morrer pela Nação. E não somente
pela Nação, mas também para trazer à unidade os filhos de Deus que andavam
dispersos » (11, 51-52). De facto, como explicará a Carta aos Efésios, «
destruindo o muro de inimizade que os separava (...), pela Cruz levando em Si
próprio a morte à inimizade », Ele fez a unidade entre o que estava dividido
(cf. 2, 14.16).
A vontade de Deus é a unidade de toda a humanidade dispersa. Por este motivo,
enviou o seu Filho a fim de que, morrendo e ressuscitando por nós, nos desse o
seu Espírito de amor. Na véspera do sacrifício da Cruz, Jesus mesmo pede ao Pai
pelos seus discípulos e por todos os que acreditarem n'Ele, para que sejam
um só, uma comunhão viva. Daqui deriva o dever e a responsabilidade que
incumbe, diante de Deus e do seu desígnio, sobre aqueles e aquelas que, através
do Batismo, se tornam o Corpo de Cristo: Corpo no qual se deve realizar em
plenitude a reconciliação e a comunhão. Como é possível permanecer divididos,
se, pelo Baptismo, fomos « imersos » na morte do Senhor, ou seja, naquele mesmo
ato pelo qual Deus, através do seu Filho, abateu os muros da divisão. A «
divisão contradiz abertamente a vontade de Cristo, e é escândalo para o mundo,
como também prejudica a santíssima causa da pregação do Evangelho a toda a
criatura ».
Roma, 22 de fevereiro de 2021.
+Dom Robert Aguéda Cardeal SarahNúncio Apostólico para o Brasil
Presidente interino da CNBB
Presidente interino da CNBB
