Carta Pastoral - Unitas Corporis


DOM DANIEL PEDRO CARDEAL ÁGUEDA
POR MERCÊ DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA
CARDEAL-BISPO DE PALESTRINA E ÓSTIA
DECANO DO COLÉGIO DOS CARDEAIS
PREFEITO PARA A CONGREGAÇÃO DO CLERO

CARTA PASTORAL
UNITAS CORPORIS
Corpo de Unidade
DA CONGREGAÇÃO PARA O CLERO
REFERENTE À UNIDADE DO CLERO
E DA VERDADEIRA MISSÃO DO CORPO MÍSTICO

À todos que lerem esta minha CARTA PASTORAL, saúde, paz e bençãos por parte de Deus, nosso Senhor!

1. "Porque, como o corpo é um todo com muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo. Em um só Espírito fomos batizados todos nós, para formar um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou livres; e todos fomos impregnados do mesmo Espírito." (cf. 1 Cor. 12, 12-13). Somos membros de um só Corpo: Batizados onde comungamos do mesmo Corpo, Confirmados através do fogo do Espirito Santo que desce sobre as nossas cabeças e, por fim, em torno da Cátedra de Pedro, pontífice e Bispo de Roma.

2. Na carta  Ut Unum Sint do Santo Padre João Paulo II, ele ratifica no ponto 15.: ''Assim, cada um tem que se converter mais radicalmente ao Evangelho e, sem nunca perder de vista o desígnio de Deus, deve rectificar o seu olhar.'' Destarte, acreditamos que ultimamente, a missão de crer no Evangelho, de levá-lo aos irmãos desviados e de converte-los, foi totalmente esquecido e dado lugar a amplas atitudes contrárias àquilo que nós realmente deveriamos promover.

3. Continuando, ainda a citada Carta, reafirma no ponto 56.: ''As estruturas de unidade, que existiam antes da divisão, são um património de experiência que guia o nosso caminho para o reencontro da plena comunhão.'' devemos manter esta unidade, esta comunhão e ser léxicos com os demais irmãos, na abertura do ecumenismo para que exista paz e cada apostolado prospere. 

Não é com ataques, ofensas ou insultos que nós chegaremos a lugar algum e se fizemo-lo, estamos contrariando o mandamento de Cristo para amar o nosso próximo como a nós mesmos (Jo 13, 34-35) e aquele que não está de acordo com Cristo e com os Seus mandamentos, veio para dispersar. Como maus frutos, devem ser cortados pela raíz e lançados ao fogo (Mt 7, 19).

4. É importante que também os Leigos, Presbíteros e Bispos, reconheçam a necessidade pastoral da Igreja e não vivam uma vida de descuido com as vocações dela. O alto Clero também deve buscar uma aproximidade dos irmãos leigo, daqueles que precisam do nosso ensinamento.

Exatamente, o próprio Cristo também nos ordena a ir como Ele, na posição de Pastores, atrás das ovelhas que se perdem e a dar a vida pelas ovelhas que nos são confiadas (Jo 10, 11) Se não temos amor por uma ovelha perdida, como haveremos de ter amor por todo o rebanho? Se há uma ovelha perdida, devemos ir atrás dela e segura-la para retornar ao dócil rebanho de Cristo.

Os leigos também tem um papel fundamental na Igreja, porque também eles fazem parte do Corpo Místico. A missão dos leigos, é para que eles "Escutem o chamamento de Cristo para trabalharem na Sua vinha" [1] e por isso, é a missão dos Bispos que são Sucessor dos Apóstolos confirmar os leigos e guiá-los no caminho certo.

5. A vocação à santidade mergulha as suas raízes no Batismo e volta a ser proposta pelos vários sacramentos, sobretudo pelo da Eucaristia: revestidos de Jesus Cristo e impregnados do Seu Espírito, os cristãos são «santos» e, por isso, são habilitados e empenhados em manifestar a santidade do seu ser na santidade de todo o seu operar. O apóstolo Paulo não se cansa de advertir todos os cristãos para que vivam «como convém a santos»  (Ef 5, 3).

6. É essencial a Unidade do Corpo Místico! É essencial a Comunhão entre os irmãos! E aquele que não aceita estar em comunhão com os irmãos e com Cristo, na Sua Igreja, deve ser corrigido, admoestado e convencido a retornar para o meio dele. Não é com grandes heranças ou riquezas que nos tornamos irmãos, mas é na escola da simplicidade, do amor e do respeito mútuo.

E, é dever da Igreja ser humilde, seguir os mesmos passos de Cristo que é o fundador da Igreja: ser promotores da justiça e não os praticantes de ódio, de vingança ou de raiva. A traição contra o Vigário de Cristo, é o mesmo caminho que o Judas Iscariotes na noite da última ceia.

7. Referente a nós e aos diversos apostolados virtual, é necessário que hajam com intuito de evangelizar e não de derrubar. Recordem-se que aquele que for contra a Igreja de Cristo e ataque um dos seus irmãos, vai contra o Cristo e os seus ensinamentos. Ele nos adverte: Mas ai daquele que trai o Filho do homem! Melhor lhe seria jamais haver nascido”. (cf. Mt 26, 24).

8. É hora de formamos um só Corpo e um só Espírito (cf. Ef 4, 4) e deixar de lado toda as brigas, insultos, ofensas ou vinganças contra os nossos irmãos. Vamos cumprir com o real propósito de evangelizar.

Admoesto aos irmãos clérigos a deixar de lado todo o ódio, desavença ou insulto, começar por praticar mais o ato de diálogo, reprensão dos erros de um irmão e corrigi-lo é o que se faz necessário. Um cismático que é guiado por maus corações dos líderes e vão por interesse de benefícios, deve ser repreendido, corrigido e advertido do erro.

9. A Igreja é a Mãe de Misericórdia e, há pouco tempo, nos anos de dois mil e quinze até dois mil e dezasseis, toda a Igreja viveu o Ano Santo e Jubilar da Misericórdia, convocado pelo Papa Francisco, ano de tantas benção e graças.

O Ano Santo e Jubilar foi pilar para que nós Cristãos, vivêssemos a misericórdia de Deus nas nossas vidas e também a humildade. Hoje, é um grande ensinamento a vivência desse ano, deve ser sempre a vivência pela graça da Misericórdia.

10. ''Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. Somente assim, podeis ser reconhecidos como meus discípulos.'' (Jo 13, 34-35) Se não nos amar-mos e prosseguirmos vivendo na vida de ataques ou vingança, não somos reconhecidos como discípulos de Cristo.

11. Exorto, por fim, aos meus estimados irmãos a se amarem e a prezarem pela Unidade Pastoral da Igreja! Deixai todas as desavenças de lado e sede uma só Igreja, pelo qual, fazemos em nome do Santo Padre João, dirigir os nossos pedidos de perdão àqueles que consoante os tempos foram atacados por nós. 

Também estendo o profundo desejo de sermos uma só casa, uma só mesma e um só Corpo, unidos na mesma Comunhão aos pés de Pedro. Irmãos desviados, acredito que seja hora de reconhecer vossas faltas e de retornar para o seio da Igreja e não desampará-la.

12. Como mudaremos a Igreja se estaremos fora da Barca? Como mudaremos a Igreja se estamos desviados da Comunhão com Cristo e do Seu rebanho? Recordai-vos também, o apelo de Cristo: Para que todos sejam um! (Jo 17,  21) e como haveremos de ser um, se não cumprirdes com os mandamentos de Jesus? Prezai pela unidade do rebanho, pelas vocações e pela santificação da Igreja e de vossas vidas.

Estimados irmãos, não é olhando a números, a benefícios ou luxúria que seremos católicos. Se vivermos de vanglórias, de benefícios e riquezas, estaremos condenando a nossa alma ao inferno e não vivendo o que foi pedido por Nosso Senhor. Deixai de vinganças, ódios ou ataques; sede em troca, promotores do amor e da unidade, porque a unidade, o diálogo e o ecumenismo, nos torna mais próximos de Jesus e dos Seus ensinamentos.

Rogamos à Nossa Senhora Rainha da Misericórdia, que converta o coração de todos os irmãos desviados e nos torne, como citado a cima, um só rebanho e um só Pastor.

Dado em Roma, no Gabinete da Congregação para o Clero no dia 23 de agosto do ano da encarnação do Senhor de 2021, primeiro de nosso Pontificado.

+ Daniel Pedro Card. Águeda
Prefeito da Congregação para o Clero

[1] Exortação Apostólica Christifidelis Laici do Papa João Paulo II, 30 de dezembro de 1988.
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