Carta Aberta do Santo Padre - por ocasião do Primeiro Mês de Pontificado


SISTO,  B I S P O
SERVO DOS SERVOS DE DEUS

A Todos que Lerem , Saudações em Nosso Senhor Jesus Cristo, o Caminho, a Verdade e a Vida.

 Ao completar meu primeiro mês como Papa, tomo um momento para refletir sobre a graça e os desafios desta missão divina que me foi confiada. Embora o peso de liderar a Igreja seja grande, é com confiança no Espírito Santo e com a oração constante de todos que busco cumprir a vontade de Deus para o bem do Seu povo. Reconheço minhas limitações humanas, mas sei que é através da nossa união com Cristo que encontramos a força para enfrentar todos os desafios.

Comprometo-me a doar o máximo de mim mesmo para que, com a ajuda de Deus, possa continuar a tomar as melhores decisões para o futuro da Igreja. Sabendo das enormes responsabilidades que recaem sobre meus ombros, desejo agir sempre com discernimento, buscando a orientação do Espírito Santo e o apoio de todos os irmãos e irmãs na fé. Cada passo que damos juntos deve ser uma caminhada em direção à renovação e fortalecimento da Igreja, mantendo firme a nossa missão de evangelização, justiça e paz no mundo.

Neste início de pontificado, as palavras de São Francisco de Assis ressoam profundamente em meu coração: “Onde há amor e caridade, aí está Deus”. Em um mundo marcado por divisões e dificuldades, a Igreja é chamada a ser uma luz que brilha na escuridão. Nossa missão é promover a unidade, não como uma uniformidade superficial, mas como uma verdadeira comunhão no amor e na caridade. Somos todos convidados a viver uma fé que transcende barreiras, reconcilia diferenças e edifica a paz.

A unidade que Cristo nos pede não é algo fácil, pois exige de nós renúncias e superações diárias. Em Sua oração sacerdotal, Cristo diz: "Para que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti" (João 17, 21). Este é o fundamento da unidade cristã, que não se baseia em uniformidade, mas na aceitação das diferenças e na construção de pontes entre as pessoas. Assim como São Francisco de Assis reconhecia a presença de Deus em todos os seres, devemos aprender a ver o rosto de Cristo em cada irmão e irmã.

No mesmo espírito, o perdão é essencial para a verdadeira unidade. Jesus nos ensinou a orar: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido” (Mateus 6, 12). O perdão é o antídoto contra o rancor e a violência que corroem nossas relações. Ele abre as portas da reconciliação e é o caminho para a paz verdadeira. Em seu Cântico das Criaturas, São Francisco de Assis exalta o perdão como um ato de amor divino, capaz de restaurar a harmonia entre todos.

A unidade da Igreja não deve ser vista como um fim em si mesma, mas como um sinal visível da unidade que Deus deseja para toda a humanidade. A Igreja é chamada a ser o sacramento da unidade, e como tal, deve se empenhar em promover o diálogo, a justiça e a paz, respondendo às feridas de um mundo em constante conflito. O perdão é a chave para a reconciliação não só entre indivíduos, mas também entre nações e culturas, como forma de superar o ciclo interminável de violência e ódio.

Além disso, a unidade deve prevalecer sobre o conflito. A Igreja deve ser um lugar de refúgio para todos, especialmente para aqueles que estão à margem da sociedade. Ao construir uma Igreja aberta, acolhedora e solidária, devemos nos esforçar para ser mediadores de reconciliação, levando a luz do Evangelho a todos os cantos do mundo. A missão é grande, mas juntos, com a graça de Deus, podemos superar qualquer divisão e construir uma comunidade mais unida e fraterna.

São Francisco de Assis nos ensina a humildade e a simplicidade no caminho da unidade e do perdão. Como ele disse, "comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível". Este é o nosso convite diário: praticar a unidade e o perdão em cada momento, em cada relação, em cada situação. Devemos começar com as pequenas ações cotidianas, buscando superar os preconceitos e conflitos que nos separam, e gradualmente, podemos alcançar a verdadeira paz.

Gostaria também de expressar um agradecimento especial aos Arcebispos do Rio de Janeiro e de Aparecida, que tem se esforçado o máximo para movimentar a evangelização nas igrejas particulares  e aos eminentíssimos Cardeais e toda a Cúria Romana pelo andamento dos trabalhos e seus esforços diários, bem como a todo o clero, por seu apoio, dedicação e orações constantes. A união da Igreja é visível no compromisso de cada um de vocês, e é através do trabalho incansável do clero que a Igreja se fortalece e avança em sua missão. Que Deus abençoe a todos vocês, e que continuemos juntos nesta caminhada de fé e fraternidade.

Neste momento, antes de finalizar, lembro que é fundamental que continuemos a orar juntos pela saúde do Papa Francisco e por sua recuperação. O estado de saúde dele, que envolve desafios em função de sua idade e condições de saúde anteriores, nos lembra da fragilidade humana, mas também nos motiva a confiar na misericórdia de Deus, que pode restaurar sua saúde. A nossa Igreja é guiada por seu exemplo de fé, simplicidade e entrega. Que a sua recuperação seja rápida e que ele possa retomar suas atividades com o vigor necessário para continuar a missão de ser um testemunho vivo do amor de Cristo para todos os povos.

A união da Igreja, especialmente neste momento, é um sinal de força e de esperança. Que possamos ser instrumentos de paz e unidade, refletindo a misericórdia de Deus em nossas vidas e comunidades. Continuemos firmes na oração e no apoio a nosso Papa, confiantes de que Deus o guiará em cada passo do caminho.

Que, com a intercessão de Maria, Mãe da Igreja, possamos viver uma espiritualidade de unidade e perdão, sendo sinais vivos do amor de Deus. O Espírito Santo nos guia neste caminho de santidade, onde somos chamados a ser testemunhas do Evangelho em nossas palavras e ações. Que o exemplo de São Francisco, que se fez pequeno para que Deus fosse grande em sua vida, nos inspire a viver a radicalidade do amor e do perdão, promovendo a unidade no mundo 

Com a benção apostólica,

Dado em Roma, aos 01 dia de Março do ano do Senhor de 2025 durante o Jubileu da Esperança,  Primeiro do meu Pontificado.

+ SISTO PP.
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