HOMILIA DE SUA SANTIDADE
JOÃO PAULO IX
SANTA MISSA COM ORDENAÇÕES DIACONAIS
Basílica Vaticana - 22/05/2025
Amados irmãos e irmãs em Cristo,
Amados irmãos e irmãs em Cristo,
queridos filhos que hoje sereis ordenados diáconos da Santa Igreja,
1. “Escolhei entre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria” (At 6,3).
Assim ouvimos na primeira leitura, tirada do livro dos Atos dos Apóstolos. Desde os primórdios da Igreja, o Espírito Santo suscitou no seio da comunidade discípulos com coração servidor, homens chamados a dar continuidade ao ministério de Cristo Servidor, que “não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (cf. Mt 20,28).
Hoje, nesta Basílica de São Pedro, onde repousa o testemunho de fé e martírio do Príncipe dos Apóstolos, o mesmo Espírito vos chama, amados filhos, para participar do sacramento da Ordem no grau do Diaconado.
2. O diaconato não é apenas uma função; é um selo espiritual, é uma configuração a Cristo Servo.
Neste altar de Pedro, sois chamados a receber uma missão e uma graça que ultrapassam as vossas capacidades humanas. Através da imposição das mãos e da oração da Igreja, o próprio Cristo vos configura a Si, para que sejais no mundo o sinal vivo do Seu amor humilde, da Sua obediência ao Pai e da Sua entrega aos irmãos, especialmente aos mais pobres e esquecidos.
3. São Paulo recorda-nos: “Temos dons diferentes segundo a graça que nos foi dada...” (Rm 12,6).
Sim, caros filhos, cada um de vós traz uma história, um dom, uma vocação singular. Mas hoje, todos vós sois chamados a colocar esses dons ao serviço do único Corpo de Cristo. O diaconato não vos afasta do povo de Deus, mas aproxima-vos mais profundamente do coração da Igreja: do altar ao pobre, da proclamação da Palavra ao serviço da caridade.
Este ministério que hoje recebeis será vivido não como prestígio, mas como missão. Como nos diz o Apóstolo: “com diligência, com generosidade, com alegria” (cf. Rm 12,8).
4. “Enviou-os dois a dois...” (Lc 10,1).
No Evangelho, Jesus envia os discípulos dois a dois. Nunca ides sozinhos. Nunca se evangeliza sozinho. A comunhão é a primeira linguagem da missão. Sereis enviados a proclamar que o Reino de Deus está próximo, mas o sinal mais eloquente deste Reino será a vossa caridade, a vossa humildade, a vossa fidelidade.
O mundo de hoje, muitas vezes ferido por divisões, materialismo e indiferença, precisa de diáconos que saibam ajoelhar-se com ternura diante das chagas humanas. Homens de oração, de escuta da Palavra, de zelo eucarístico e de caridade concreta.
5. Queridos filhos, sede homens da Palavra e da mesa. Sede servidores do altar e dos pobres.
Não vos esqueçais de que o gesto mais nobre do vosso ministério será muitas vezes aquele que ninguém verá: a visita a um doente, o consolo a um prisioneiro, o alimento partilhado com o faminto, a escuta silenciosa de quem já perdeu a esperança.
Não tenhais medo de “gastar a vida” por Cristo. Ele vos sustentará. A Virgem Maria, serva fiel e primeira discípula, vos acompanhará com o seu olhar materno.
6. No coração da Igreja, sede sinal de Cristo Servo.
A Igreja precisa de homens como vós: generosos, obedientes, apaixonados por Cristo e pelo Evangelho. Recebei hoje com gratidão este dom. Deixai-vos moldar pelas mãos da Igreja. O mundo, ainda que não o saiba, espera os vossos gestos, a vossa entrega, a vossa esperança.
Amados ordinandos: Sede diáconos santos. E um dia, quando Cristo vos chamar à plenitude do sacerdócio ou à vossa missão definitiva, Ele mesmo vos dirá:
“Muito bem, servo bom e fiel! Entra na alegria do teu Senhor.”
Assim seja.
