Homilia | Visita a Santa Maria Maior e Posse

 
HOMILIA DE SUA SANTIDADE
JOÃO PAULO IX
VISITA AO ÍCONE DE NOSSA SENHORA
COM ATO DE POSSE PAPAL EM SANTA MARIA MAIOR

Basílica de Stª. Maria Maior - 23/05/2025

Amados irmãos e irmãs em Cristo,

Amadíssimos irmãos e irmãs,

Hoje, ao pisar o solo desta venerável Basílica de Santa Maria Maior — este trono de Graça e beleza, este refúgio milenar do povo cristão — o meu coração de sucessor de Pedro se enche de comoção e profunda gratidão. Aqui, onde milhões de filhos e filhas da Igreja vêm há séculos depositar suas lágrimas, súplicas e esperanças, venho eu também, humilde peregrino da fé, filho entre filhos, me colocar aos pés da Mãe.

Sim, da Mãe. A Mãe que abraça aquele que precisa do amor e da ternura nas piores horas da vida: Ela está lá, não nos deixa desamparados. E reafirmo como disse o Papa Francisco:  Temos Mãe!

Porque, amados, Maria é mais do que um símbolo. Ela é mais do que memória piedosa ou imagem esculpida nas paredes dos nossos templos. Maria é presença viva, coração pulsante, alma materna da Igreja que caminha.

Ao meditarmos, hoje, sobre o trecho dos Atos dos Apóstolos (1,12-14), nossos olhos se voltam para aquele pequeno Cenáculo onde a Igreja nascente, ainda marcada pela dor da separação física do Senhor, se reunia em oração. E ali, no meio de todos, estava Ela. Maria. A Mãe.

Não uma Mãe ausente. Não uma Mãe indiferente. Mas uma Mãe que sofre com os filhos, que os congrega em torno da esperança, que os acompanha com ternura e coragem. Maria, que já havia acolhido em seu seio o Verbo Eterno, agora acolhe espiritualmente cada filho e filha que nasce no Corpo Místico de Cristo.

Oh, irmãos, como essa cena ressoa no íntimo da alma humana! A Mãe está presente no momento de dor e de espera. A Mãe está presente quando tudo parece incerto. A Mãe está presente quando os filhos tremem, quando vacilam, quando oram em lágrimas. Maria não os abandona. Maria não nos abandona.

E por isso, com emoção profunda, repito: hoje, neste lugar sagrado, nesta Roma que é coração da catolicidade, Maria nos congrega de novo. Ela nos chama, nos acolhe, nos abraça como filhos. Somos seus. Cada um de nós.

E diante do sofrimento do mundo, diante dos gritos de guerra que ainda ecoam em tantos cantos da Terra, diante das divisões que dilaceram as famílias, as nações, e até os próprios membros do Corpo de Cristo, voltamo-nos a ti, ó Mãe, com súplica ardente:

Intercede por nós, ó Maria!
Tu, que estiveste em silêncio aos pés da cruz, ouve hoje o grito das mães que choram seus filhos perdidos nas guerras.
Tu, que conheceste a solidão do caminho para o Calvário, consola os refugiados, os exilados, os pobres sem terra e sem lar.
Tu, que carregaste nos braços o Salvador do mundo, ampara as crianças que dormem com fome e acordam com medo.

Sim, Maria é a Mãe da paz. E não há verdadeira paz que não passe pela ternura do amor. Por isso ela nos ensina, mais que com palavras, com a sua vida, a caminhar pela estrada da fraternidade. Ensina-nos a escutar o outro, a estender a mão, a perdoar. Ensina-nos que toda arma calada pela oração é um grito que chega ao céu.

Neste tempo em que o mundo parece esquecer o rosto do irmão, que cresce o egoísmo, que tantos fecham o coração ao diferente, Maria nos convida a voltar ao Cenáculo da oração. Ela nos ensina a perseverar, a permanecer unidos, a esperar o Espírito que renova todas as coisas.

Sim, irmãos, a paz verdadeira — aquela que o mundo não pode dar — começa no coração orante, naquele coração que, com Maria, diz: “Faça-se em mim segundo a tua Palavra.”

Hoje, eu vos peço, como Pastor da Igreja e servo de Maria: levem consigo essa imagem da Mãe reunida com os discípulos. Gravem-na no coração. E nas horas difíceis, quando o desânimo bater à porta, recordem: ela está conosco. Ela nos reúne. Ela nos cobre com seu manto. Ela nunca deixa de ser Mãe.

E como um filho que tudo entrega à sua Mãe, renovo diante desta Basílica a minha consagração, e a consagração de toda a Igreja: Totus Tuus, Maria! 

Tudo é teu. Esta Igreja ferida e santa, este mundo faminto de paz, este coração de pastor, cansado às vezes, mas cheio de esperança. Conduze-nos àquele Pentecostes de fraternidade que o mundo tanto espera. Intercede por nós, Mãe da Igreja, Mãe da humanidade. E mostra-nos, cada dia, o Rosto do teu Filho.

Amém.
Postagem Anterior Próxima Postagem

نموذج الاتصال