CARTA APOSTÓLICA
“IN CORDE SACERDOTIS”
PELA QUAL SE ESTABELECE
O MÊS DE JUNHO 2025 COMO
MÊS JUBILAR DO SACERDÓCIO E DE ORAÇÃO PELA SANTIFICAÇÃO DO CLERO
DE SUA SANTIDADE
JOÃO PAULO IX
BISPO DE ROMA,
SUMO PONTÍFICE,
PONTÍFICE MÁXIMO,
SERVO DOS SERVOS DE DEUS.
Aos Cardeais, Bispos, Presbíteros, Diáconos, Religiosos e Religiosas, Consagrados e Consagradas, Fiéis Leigos a que estas minhas letras virem, saudação, paz e benção apostólica.
1. Ao iniciarmos o mês de Junho, mês consagrado ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo, elevo com todos vós um hino de gratidão e esperança, ao contemplarmos o Amor inextinguível que brota do Coração Trespassado do Salvador. Este Coração, ferido por nossos pecados, é também a nascente perene da misericórdia e da renovação da Santa Igreja.
2. É neste mês sacratíssimo que, como Sucessor de Pedro e Servo dos Servos de Deus, convoco solenemente o Mês Jubilar do Sacerdócio, pedindo a toda a Igreja que se una, em espírito de adoração e súplica, pela santificação do clero e pelas vocações sacerdotais.
3. “Dar-vos-ei pastores segundo o Meu Coração, que vos apascentarão com inteligência e sabedoria” (Jr 3,15). Estas palavras do profeta Jeremias ressoam como promessa eterna. Cristo, o Bom Pastor, jamais deixará seu rebanho sem pastores, mas a nós cabe implorar, clamar e interceder, para que as vocações floresçam e os sacerdotes se santifiquem.
I. O Coração de Jesus: fonte e origem do Sacerdócio.
4. O ministério sacerdotal nasce do Coração de Jesus. Na Última Ceia, ao instituir a Eucaristia e o Sacerdócio, o Senhor confiou aos Apóstolos um ministério que seria sacramento da Sua presença contínua no mundo. Cada sacerdote, ao subir ao altar, renova o dom do Calvário, oferecendo não apenas pão e vinho, mas a sua própria vida, unida ao sacrifício do Cordeiro.
5. “O sacerdote é o amor do Coração de Jesus” – dizia o Santo Cura d’Ars, São João Maria Vianney. No altar, o sacerdote não é apenas ministro: é ponte, vítima, intercessor. E por isso, a santidade sacerdotal não é luxo, é urgência. A Igreja precisa de padres santos, e o mundo espera neles a transparência de Cristo.
II. Apelo à Oração pelos sacerdotes e pelo Clero.
6. Durante este mês jubilar, convido cada leigo, a cada família, a cada comunidade, a rezar intensamente pelos seus sacerdotes.
7. Eu mesmo, como Bispo de Roma e Pastor Universal, dedicarei todos os Domingos de junho às 20h00, à recitação do Santo Terço e à Adoração Eucarística, em união com todos os que desejam oferecer ao Senhor o dom da intercessão. “A santificação dos sacerdotes é a raiz de uma renovação profunda na Igreja” (São Pio X, Haerent Animo).
8. Peço aos bispos que promovam em suas dioceses momentos semelhantes. Nas paróquias, nas comunidades religiosas, nos lares — que a oração seja um clamor ardente ao Céu: “Senhor, santificai os vossos sacerdotes; enviai operários para a vossa messe!”
III. Uma Igreja que gera Sacerdotes através das orações do seu povo.
9. O Sagrado Coração de Jesus, do qual jorram sangue e água (cf. Jo 19,34), é também a fonte onde nascem as vocações. Uma Igreja que adora, que reza e que ama a Eucaristia é uma Igreja fecunda. Por isso, este mês jubilar é também um tempo de esperança para as vocações.
10. “Onde há um povo orante e adorador, aí nascerão vocações santas e firmes” (São João Paulo II, Pastores Dabo Vobis). Sacerdotes se formam no silêncio do sacrário, na escola de Maria, na fé do povo simples. Que cada jovem que sente o chamado não tenha medo de dizer: “Eis-me aqui, Senhor!”
E a vós, meus irmãos presbíteros,
11. A vós, meus filhos prediletos, sacerdotes de Cristo, dirijo agora uma palavra do fundo do meu coração: Coragem! Não desanimeis, mesmo sob o peso das cruzes, das incompreensões ou das fraquezas. Cristo confiou-vos o mais precioso: o Seu Corpo e o Seu Sangue, o Seu povo e o Seu perdão.
12. Elevai vossos corações ao alto! Não vos conformeis com o mínimo. Santificai-vos dia após dia, em fidelidade à oração, à Palavra, à Eucaristia e ao povo a vós confiado, pois “Um sacerdote não se pertence mais. É todo de Deus, e todo dos irmãos” (São Carlos Borromeu). “Sede santos, porque Eu sou santo” (1Pd 1,16).
13. Que neste Mês Jubilar, cada sacerdote se deixe tocar novamente pelo Amor de Cristo, e renove, em lágrimas ou em silêncio, a sua entrega incondicional ao Senhor do altar.
IV. A Mãe dos Sacerdotes: Maria, Mãe de Esperança e pilar do Sacerdócio Régio.
14. À vossa proteção, ó Santa Mãe de Deus, confiamos o clero da Igreja. Maria, Mulher Eucarística, que oferecestes o Filho no altar da Cruz, acompanhai com ternura os ministros de vosso Filho.
15. Acolhei também cada jovem vocacionado e ensinai-o a dizer, como vós: “Faça-se em mim segundo a tua Palavra” (Lc 1,38).
V. Conclusão
16. Que este mês de Junho, sob a luz do Sagrado Coração, seja para toda a Igreja um Pentecostes sacerdotal.
17. Que a oração do Terço, a Adoração e a Eucaristia sejam as colunas deste tempo de graça. E que, ao fim deste mês, possamos dizer como os discípulos de Emaús: “Porventura não ardia o nosso coração quando Ele nos falava?” (Lc 24,32)
Dado em Roma, no Gabinete Pontifício do Palácio Apostólico, no primeiro dia do mês jubilar do sacerdócio de junho do Ano Jubilar da Esperança de 2025, primeiro do meu Pontificado.

