Aos Bispos que participam da Assembleia Extraordinária da Conferência Nacional dos Bispos do Habblet,
saudação, paz, e bênção apostólica.
Saúdo-vos no Senhor com afeto e respeito profundo pelo ministério que cada um carrega no coração. Dirijo-vos estas palavras como aquele que, pela graça de Deus, vos acompanha e confirma na fé. Reúno-vos espiritualmente ao redor do mesmo altar que sustenta a Igreja há séculos, e convido-vos a contemplar, com serena maturidade, a grandeza do chamado que nos foi confiado.
Peço-vos, amados irmãos, que sejais homens de oração e de discernimento, pois não basta governar — é preciso servir. O Senhor nos recorda: “Quem quiser ser o maior dentre vós, seja aquele que serve” (Mt 20,26). Nesta verdade se apoia a autoridade episcopal, que não é domínio, mas dom; não é privilégio, mas entrega; não é poder humano, mas missão nascida do Espírito. Que cada decisão tomada por vós nasça antes aos pés do Santíssimo, onde o coração se purifica e a mente se ilumina.
A criação da Conferência Nacional dos Bispos do Habblet apresenta-se diante de nós como sinal de unidade e como resposta concreta às necessidades pastorais do nosso tempo. Este organismo, que ora nasce, não deve ser apenas estrutura ou reunião administrativa, mas espaço de comunhão fraterna, partilha de dores e alegrias, escuta recíproca e oração comum. Que nele brilhe aquilo que o Papa São João Paulo II tão fortemente ensinava: “A Igreja vive de comunhão e se configura como comunhão”. Que nossa comunhão não seja ideia abstrata, mas corpo vivo que se move em caridade.
Nas circunscrições do Carmo e de Fátima, confiadas ao zelo deste episcopado, encontram-se povos que esperam pastores atentos, capazes de reconhecer as necessidades do pequeno, do pobre, do confuso, do distante. Não nos é permitido esquecer que “o Bom Pastor dá a vida por suas ovelhas” (Jo 10,11). Que esta assembleia extraordinária seja luz para caminhos novos e prudência para conservar o que deve permanecer.
Exorto-vos a recordardes, com ternura, a herança recebida daqueles que nos precederam. Quantas vezes a Igreja avançou sobre mares tempestuosos sustentada apenas pela esperança! Como nos recorda o Papa Bento XVI, “A fé não é uma teoria, mas encontro com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte”. Não permitais, pois, que o cansaço ou o desânimo roubem o vigor da vossa missão. Sede homens de horizonte largo, de coração compassivo, de palavras que edificam e levantam.
Concedo-vos, como sucessor daqueles que, no início da Igreja, impunham as mãos para fortalecer os irmãos, a minha bênção apostólica. Que o Espírito Santo vos inspire, vos acompanhe e vos guie em cada reflexão, deliberação e gesto pastoral. Que Maria, Mãe da Igreja e Estrela da Evangelização, vos cubra com seu manto e vos ensine a guardar e meditar todas as coisas no coração.
Ide adiante com fé. Sede pastores segundo o Coração de Cristo. Guardai o rebanho que vos é confiado, conduzi-o às águas tranquilas da graça, e fazei que, pelas vossas mãos, muitos encontrem o caminho do Reino de Deus.
Dado em Roma, no dia 27 de novembro do Ano Jubilar da Esperança de 2025, primeiro do meu Pontificado, Festa de Nossa Senhora das Graças Milagrosa.

