Eminentíssimos senhores Cardeais,
Excelentíssimos senhores Bispos,
Reverendíssimos senhores Presbíteros e Diáconos,
Irmãos e irmãs de vida religiosa e consagrada,
queridos irmãos e irmãs, leigos e leigas, comunidades irmãs,
Saudações fraternas em Cristo, Nosso Senhor.
Saudações fraternas em Cristo, Nosso Senhor.
PROÊMIO
1. «Ut unum sint» — «Para que todos sejam um» (Jo 17, 21). Estas palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo, elevadas ao Pai na oração sacerdotal, constituem o horizonte espiritual que desejamos contemplar neste mês de novembro, em que a Santa Igreja Católica Apostólica Romana celebra, com gratidão e esperança, o décimo sexto aniversário da sua fundação.
2. Ao celebrarmos esta data, não somos chamados apenas a recordar o caminho percorrido, as comunidades constituídas, os ministérios exercidos ou as obras realizadas. Somos, antes de tudo, convidados a renovar a consciência de que a Igreja existe para Cristo e por Cristo, e de que toda a missão que lhe é confiada deve conduzir os homens ao encontro com o Evangelho, à comunhão fraterna e à esperança que não dececiona.
3. Por isso, convocamos toda a SICAR para a celebração do Mês Jubilar de Novembro, um tempo de ação de graças pela nossa história, de renovação da nossa vocação e de compromisso com a missão evangelizadora. Este jubileu deverá ser vivido sob dois horizontes inseparáveis: o protagonismo do laicato na missão da Igreja e a promoção da unidade, do diálogo e da reconciliação entre os cristãos.
4. Não desejamos que este aniversário se reduza a uma comemoração exterior. Queremos que seja ocasião de conversão interior, de serviço mais generoso e de renovação da nossa fidelidade a Cristo. Uma Igreja que celebra a sua história deve também perguntar-se como está a servir o presente e que testemunho deseja oferecer ao futuro.
I.
LAICATO EM MISSÃO
O POVO DE DEUS CHAMADO A SERVIR
5. Vivemos o Ano Santo do Laicato, correspondente ao período de 2026–2027, durante o qual somos convidados a redescobrir a dignidade, a responsabilidade e a riqueza da vocação dos fiéis leigos. É neste contexto que estabelecemos como tema central do Mês Jubilar de Novembro a expressão: «Laicato em Missão».
6. O laicato não constitui uma realidade secundária na vida da Igreja, nem a sua participação se limita ao auxílio ocasional nas atividades comunitárias. Os fiéis leigos, pelo Batismo e pela sua pertença ao Povo de Deus, são chamados a testemunhar o Evangelho na vida quotidiana, a promover a caridade, a construir a paz e a colocar os seus talentos ao serviço da comunidade.
7. Uma Igreja que reconhece a missão dos leigos é uma Igreja que escuta, acompanha, forma e envia. É uma Igreja que não concentra toda a responsabilidade evangelizadora nos seus ministros ordenados, mas reconhece que cada batizado pode contribuir, segundo a sua vocação e as suas possibilidades, para a edificação da comunidade cristã.
8. Por conseguinte, exortamos os nossos bispos, presbíteros, diáconos e responsáveis comunitários a promoverem uma participação efetiva dos leigos na vida pastoral, na formação cristã, na organização das iniciativas de caridade e na construção de comunidades acolhedoras. Que nenhum talento seja desprezado, nenhuma boa vontade seja ignorada e nenhuma pessoa seja afastada por não ocupar um ministério de destaque.
9. Aos fiéis leigos dirigimos um apelo particular: não tenhais medo de assumir a vossa missão! A Igreja precisa da vossa presença, da vossa disponibilidade, da vossa criatividade e do vosso testemunho. Servir não significa procurar honras, títulos ou reconhecimento, mas fazer frutificar os dons recebidos para o bem de todos.
10. Neste mês jubilar, cada comunidade deverá procurar concretizar o tema «Laicato em Missão» através de iniciativas acessíveis e significativas: encontros de formação, momentos de oração, ações solidárias, visitas fraternas, acolhimento dos novos membros e participação ativa dos leigos na vida comunitária.
11. Que o nosso décimo sexto aniversário nos encontre, portanto, não apenas orgulhosos daquilo que fomos, mas disponíveis para aquilo que somos chamados a ser: uma Igreja servidora, missionária e fraterna, na qual cada membro reconhece que tem um lugar e uma responsabilidade.
II.
O CARISMA DO ECUMENISMO
A UNIDADE COMO VOCAÇÃO
12. O Mês Jubilar de Novembro será vivido também sob o carisma do ecumenismo, entendido como uma disposição permanente para procurar a unidade dos cristãos através da oração, do diálogo sincero, do respeito mútuo e da reconciliação.
13. A divisão entre os cristãos permanece uma ferida que não deve ser ignorada nem alimentada por palavras precipitadas, rivalidades ou disputas de autoridade. Embora reconheçamos a existência de diferenças doutrinais, disciplinares e comunitárias, não podemos permitir que tais diferenças destruam a caridade ou impeçam o reconhecimento da dignidade daqueles que professam a fé em Cristo.
14. O ecumenismo não exige que abandonemos as nossas convicções, nem significa confundir todas as tradições cristãs numa realidade indiferenciada. Exige, antes, que saibamos dialogar sem hostilidade, apresentar as nossas convicções com respeito e reconhecer que a procura da verdade deve ser inseparável do amor ao próximo.
15. Dirigimos, por isso, um apelo especial aos membros dos cleros virtuais, às suas lideranças, comunidades e assembleias: que este mês seja ocasião para abandonar a lógica do confronto permanente e abrir caminhos de entendimento. Nenhuma comunidade deve considerar a humilhação de outra como uma vitória, nem a discórdia como prova de fidelidade.
16. A comunhão não nasce da imposição, mas de corações dispostos a escutar. A reconciliação não apaga automaticamente as divergências, mas permite que elas sejam enfrentadas sem desprezo, perseguição verbal ou condenações precipitadas. O diálogo não diminui a identidade de uma comunidade; quando vivido com honestidade, pode aprofundar o conhecimento mútuo e favorecer a paz.
17. Exortamos, assim, todos os responsáveis dos cleros virtuais a promoverem, durante o Mês Jubilar, pelo menos um gesto concreto de aproximação: uma oração comum pela paz, uma mensagem fraterna, um encontro de diálogo, uma iniciativa solidária ou uma declaração de compromisso contra a hostilidade entre comunidades.
18. Que as nossas palavras sejam instrumentos de construção e não de destruição. Que as nossas decisões sejam orientadas pela justiça e pela prudência. E que as nossas diferenças nunca nos façam esquecer o dever fundamental de tratar cada pessoa com dignidade.
III.
MARIA, A RAINHA DA PAZ
MÃE QUE NOS ENSINA A CAMINHAR JUNTOS
19. Neste caminho de missão e reconciliação, voltamos o nosso olhar filial para a Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, a quem invocamos como Rainha da Paz.
20. Maria ensina-nos a acolher a Palavra de Deus com humildade, a permanecer fiéis nos momentos de provação e a acompanhar os discípulos de Cristo na oração. Na sua disponibilidade ao desígnio divino, encontramos um exemplo de serviço; na sua presença junto da comunidade apostólica, descobrimos a importância da perseverança e da comunhão.
21. Pedimos à Mãe de Deus que interceda pela paz no mundo, especialmente onde a guerra, o ódio, a violência e a intolerância ferem a dignidade humana. Que os responsáveis pelas nações procurem caminhos de diálogo e que as comunidades, famílias e instituições se tornem lugares de reconciliação.
22. Pedimos-lhe igualmente que interceda pelos cleros virtuais, pelas suas comunidades e por todos aqueles que exercem responsabilidades pastorais. Que a sua intercessão nos ajude a superar as rivalidades, a moderar as palavras, a reconhecer os erros e a procurar a reconciliação sempre que esta seja possível.
23. Sob a sua proteção materna, confiamos este Mês Jubilar, o Ano Santo do Laicato e o futuro da nossa Igreja. Que Maria, Rainha da Paz, nos ensine que a verdadeira grandeza se encontra no serviço, que a fidelidade se manifesta na caridade e que a unidade deve ser procurada com paciência, verdade e amor.
IV.
PROPOSTA DE ORAÇÃO
PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS
24. Para que este propósito não permaneça apenas uma intenção, propomos a todas as comunidades da SICAR a realização de momentos especiais de oração pela unidade dos cristãos durante o mês de novembro. Recomendamos que sejam integrados na oração comunitária, nos encontros pastorais e nas iniciativas próprias do Mês Jubilar.
25. Convidamos igualmente cada fiel a reservar diariamente alguns minutos para rezar pela paz no mundo, pela reconciliação entre os cleros virtuais e pela renovação da missão dos leigos. Que esta oração seja acompanhada por atitudes concretas de fraternidade, porque a oração sincera dispõe o coração para o serviço e para a conversão.
Esta oração pode ser feita, se desejado, nos momentos de oração comunitária, nas celebrações litúrgicas e também durante a Missa, após a Oração pós-Comunhão.
Oração pela Unidade dos Cristãos e pela Paz
Senhor Jesus Cristo, Príncipe da Paz e fundamento da unidade,
Vós que pedistes ao Pai que todos fossem um, olhai pela vossa Igreja
e por todos aqueles que se dedicam à missão de anunciar o Evangelho.Por intercessão de Maria Santíssima, Rainha da Paz,
concedei-nos a graça de superar as divisões, abandonar as rivalidades
e construir pontes de diálogo, fraternidade e reconciliação entre os cristãos
e os diversos apostolados virtuais.Que o Espírito Santo ilumine os nossos corações,
para que saibamos reconhecer-nos como irmãos,
respeitar as nossas diferenças e colocar a caridade
acima de qualquer desentendimento.
Fazei de nós instrumentos da vossa paz,
para que as nossas palavras e ações sejam sempre testemunho vivo do vosso amor.
Neste XVI Aniversário da fundação da SICAR,
renovai em nós o ardor missionário e a fidelidade à vossa Palavra.
Que nunca nos falte a coragem de anunciar Cristo,
de trabalhar pela unidade e de levar a esperança
a todos aqueles que dela necessitam.Que Maria, Rainha da Paz,
nos conduza a Cristo e nos ensine a caminhar juntos,
como uma Igreja chamada à missão,
à comunhão e ao serviço do Evangelho.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
V.
COMPROMISSOS PARA O MÊS JUBILAR
26. Para que a celebração produza frutos duradouros, estabelecemos as seguintes propostas pastorais para as comunidades da SICAR:
a) Pela missão dos leigos: promover uma iniciativa comunitária que manifeste a participação ativa dos fiéis na evangelização, na formação ou no serviço aos mais necessitados.
b) Pela unidade dos cristãos: dedicar um momento de oração comunitária à intenção expressa pelo Senhor: «Para que todos sejam um» (Jo 17, 21).
c) Pela paz no mundo: rezar diariamente pela cessação dos conflitos, pela proteção dos inocentes e pela conversão dos corações à justiça e à fraternidade.
d) Pela reconciliação entre os cleros virtuais: incentivar gestos concretos de diálogo, respeito e aproximação entre comunidades que se encontrem afastadas ou em situação de conflito.
e) Pela renovação da SICAR: recordar, com gratidão, os dezasseis anos da sua fundação, reconhecendo os frutos alcançados e discernindo os caminhos que ainda precisam de ser percorridos.
27. Estes compromissos não devem ser entendidos como simples formalidades. Cada comunidade é convidada a adaptá-los às suas possibilidades, preservando o seu sentido espiritual e pastoral. O importante não é a dimensão exterior das iniciativas, mas a sinceridade com que são vividas e os frutos de comunhão que produzem.
VI.
CONCLUSÃO
A CAMINHAR NA ESPERANÇA
28. Amados irmãos e irmãs, o décimo sexto aniversário da Santa Igreja Católica Apostólica Romana oferece-nos uma oportunidade de renovar a nossa entrega a Cristo. O tempo jubilar que convocamos não é apenas memória do passado: é um apelo à responsabilidade no presente e à esperança no futuro.
29. Que o Ano Santo do Laicato nos ajude a reconhecer a riqueza da vocação de cada batizado. Que o carisma do ecumenismo nos ensine a procurar a unidade sem abandonar a verdade nem ferir a caridade. Que a oração pela paz transforme as nossas intenções em gestos concretos de reconciliação.
30. Aos ministros ordenados, pedimos que sejam servidores da comunhão e promotores da participação. Aos fiéis leigos, pedimos que assumam com coragem a missão que lhes é confiada. Aos responsáveis dos cleros virtuais, dirigimos um convite fraterno para que façam do diálogo uma prioridade e da reconciliação um caminho possível.
31. Não nos deixemos vencer pela divisão, pelo desânimo ou pela tentação de transformar as diferenças em inimizade. Recordemos que o testemunho cristão perde a sua credibilidade quando a caridade é substituída pelo desprezo. A nossa missão será tanto mais fecunda quanto mais soubermos unir a fidelidade ao Evangelho à proximidade com cada pessoa.
32. Confiamos este Mês Jubilar à Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, Rainha da Paz. Que ela acompanhe a SICAR, proteja os seus fiéis e interceda por todos os que procuram viver a fé com sinceridade. Sob a sua proteção, renovemos o propósito de construir comunidades onde o serviço seja reconhecido, a fraternidade seja cultivada e a paz seja anunciada.
33. E que, ao concluirmos este mês de oração e missão, possamos apresentar ao Senhor frutos concretos de conversão, de serviço e de reconciliação, para que a nossa celebração não termine com o calendário, mas continue na vida de cada comunidade.
34. Que o Senhor nos conceda a graça de permanecermos firmes na fé, generosos no serviço e perseverantes na procura da unidade. E que, pela intercessão de Maria, Rainha da Paz, a nossa Igreja seja sempre instrumento de comunhão, esperança e fraternidade.
Dado em Roma, junto a São Pedro, no dia 26 de outubro do ano do Senhor de 2026, primeiro do meu Pontificado.



