FR. LEOPOLDO JORGE CARDEAL SCHERER, CP.
POR MERCÊ DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA,
CARDEAL-BISPO DE PORTO-SANTA RUFINA E ÓSTIA
DECANO DO COLÉGIO DOS CARDEAIS.
A todos vós, diletíssimos irmãos e irmãs que lerem, saúde, paz, misericórdia, esperança e benção no Senhor Ressuscitado.
Em decorrência dos recentes acontecimentos e das deliberações internas no Colégio dos Cardeais, havia sido previamente anunciada a possível exoneração do Eminentíssimo Cardeal Luca Marini. No entanto, após diálogo pessoal entre o referido Cardeal, Sua Santidade o Papa João Paulo IX e este Decano do Colégio Cardinalício, foram devidamente esclarecidos os fatos que motivaram sua ausência nos últimos dias e no Consistório de ontem — justificado com antecedência desde primeira hora.
Constatou-se, mediante fatos apresentados, que a ausência do Cardeal Marini se deu por razões próprias de saúde. Assim, reconhecendo a veracidade dos elementos trazidos e a boa-fé do irmão, confirmamos que o Cardeal Luca Marini permanece membro, em pleno direito do Colégio dos Cardeais, com o status de Cardeal Eleitor, conservando o seu título cardinalício e as funções que, a seu tempo, lhe forem designadas pelo Santo Padre.
Destacamos e louvamos a atitude humilde e obediente do Cardeal Luca Marini, que prontamente acolheu, sem contestação, a notícia da possível exoneração — mesmo antes de sua formalização — como sinal de entrega à vontade da Igreja. Este gesto de simplicidade e docilidade revela a profunda maturidade do referido irmão, conforme nos exorta São Bento: “Nada antepor ao amor de Cristo”.
Agradeço, em nome do Colégio Cardinalício, ao irmão Luca Marini por sua obediência fraterna e por seu testemunho de unidade com estes irmãos e com o Santo Padre. Como ensina o Apóstolo: “Sede solícitos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Ef 4,3).
Continuamos a rogar pela sua plena recuperação e por um fecundo exercício das responsabilidades que lhe forem confiadas pela Igreja.
Datado em Roma, Cidade Eterna, no vigésimo-nono dia de maio do ano jubilar de Esperança do segundo milésimo vigésimo quinto, no primeiro do nosso Pontificado.
